FOTO: BLOG DO FESTIVAL DE LITARATURA DE EIFEL-ALEMANHA (2OO8)
O Prêmio Nobel de Literatura é, no mínimo, curioso e, a maioria dos portais, nesse momento, atribui a premiação de Herta Müller a critérios políticos. Como a escritora - assim como Le Clezio no ano anterior - é pouquíssimo conhecida, até agora, que eu tenha visto, apenas o Sérgio Rodrigues, em seu blog Todo Prosa, mencionou um segundo livro dela publicado no Brasil, O homem é um grande faisão sobre a Terra. A maioria dos sítios cita apenas O compromisso, publicado pela Globo, em 2004.
Fiquem à vontade para comentar mais essa premiação inusitada.
Republicado ás 15h00
P.S.: Apesar de publicado em português, O homem é um grande faisão sobre a Terra, saiu pelaLivros Cotovia, uma pequena Editora portuguesa, ô pá! Correção feita.
Reparei no dia, mas só hoje deu para consertar. Os seis fiéis leitores (cinco?) não me corrigiram por caridade cristã. o fato é que, por sono, por antipatia ao bufão venezuelano ou qualquer outra coisa, esse blogueiro errou o nome do presidente deposto por golpe em Honduras. Onde vocês leram Hugo Zelaya, a pobre alma que vos escreve quis dizer, é claro Manuel Zelaya. Como desculpas, vocês ficam com um parágrafo e o link para o editorial do Mino, na CartaCapital.
“O tempo passa, e o pessoal não arreda pé do seu ideário. Ninguém se queixa se o monstruoso desequilíbrio social permanece e se o governo Lula fez pouco para avançar na direção de uma igualdade, indispensável, aliás, à realização de um capitalismo sadio e regrado. Enfurecem-se, porém, se o chanceler Celso Amorim autoriza nossa representação em Honduras a hospedar a vítima do golpe. E se Zelaya for amigo de Hugo Chávez, e se ele próprio curtir um sonho bolivariano, o que isso muda?”
ZELAYA NA EMBAIXADA BRASILEIRA, AO LADO DA MULHER, XIOMARA CASTRO. FOTO: JORNAL DOS MESQUITA
Nem sempre uma idéia fantástica leva a um bom filme. Ou isso, ou meu horror a qualquer tipo de mutilação física, mas sobretudo àquelasrelacionadas aos órgãos genitais – masculino ou feminino indistintamente – afastam-me incondicionalmente do último Von Trier.
Acreditem, em artigo na edição de hoje no Jornal dos Mesquita, Sérgio Telles misturou tantas coisas que eu gosto em sua análise do filme que o trapezista sem rede quase saiu da toca; todavia, o bom senso falou mais alto: toda a polêmica de Cannes, as poucas cenas vistas e, mais importante, uma entrevista em que tive a nítida impressão que Lars Von Trier caminha a passos largos para o caminho da paranóia – uma vez que na mistificação ele já chegou faz tempo – ativaram todos os meus alarmes íntimos. Não, não. No fundo é sempre mais do mesmo. Non, merci.
O artigo de Telles – ver seus livros O Psicanalista vai ao cinema I e II – vale a vista. Mitos de organização de sociedade arcaicos, rituais de bruxaria medievais e o Willem Dafoe, em outros tempos valeriam duas visitas ao cinema. Envelheço.
Ainda da lavra do Caderno de Cultura dos Mesquita, indicação-resenha de Zé Maria Mayrink, Os Primeiros Judeus em São Paulo, de Paulo Valadares, Guilherme Faigueboin e Niels Andreas, tem, num primeiro momento, todos os ingredientes pra que eu saia correndo: o título evoca o pior dos defeitos, a saber, o gosto pelo detalhe milimétrico e outro vícios atuais dessa velha e devassa senhora, a História.
A julgar pela resenha, profundo engano, fruto de leitura superficial. Partindo do micro – cemitério da Vila Mariana, vida de comunidade de imigrantes – os autores lançam as vistas sobre o longo processo do exílio dos judeus no antigo império czarista e a saída após o início dos pogroms (ataques sistemáticos, ao quais além da violência física, atingiam as pequenas propriedades), a partir de 1880.
Os novos lançamentos dessa área, com as honrosas exceções, carecem do risco, do olhar que, sem perder a noção dos limites da aldeia que se quer explicar, consegue situá-la num universo mais amplo. Parece que as universidades, no entanto, contentam-se em formar burocratas, não importa seu campo de atuação. Pra quem tenta entender o funcionamento das sociedades utilizando as ferramentas das ciências humanas, acomodação é pecado mortal.
Se fosse constrangido, por ameaça física, a falar sobre os últimos sete anos do Governo Federal e, debaixo de intensa ameaça, a escolher um fato positivo perpetrado pelos atuais “donos do poder”, sem titubear um segundo sequer, escolheria a agenda das relações exteriores. O estreitamento de relações com áreas vitais para se entender a “formação do Brasil”, criou na imprensa espaços impensáveis há pouco tempo atrás. Depois do blog “Pé na África”, o “Portal dos Frias” – onde, vocês sabem, esse blog bebê está hospedado – criou o espaço “Raul na China”.
Ao contrário do que a facção bem pensante sempre pregou – e chiou quando da atual aproximação com a África, comparando-a com outra ofensiva, essa no tempo dos militares – a diplomacia não se faz apenas no circuito “Elizabeth Arden” das embaixadas no primeiro mundo (não se usa mais essa expressão, meu filho!). Certo, um amontoado de gafes, frutos do duplo, ás vezes triplo comando no Itamaraty, foram cometidas. Daí, a dar crédito às vozes de sempre que se ergueram profundamente indignadas com “a quebra da posição histórica de não-intervenção do Brasil nessas questões”, por ocasião do asilo político dado ao presidente deposto de Honduras, Hugo Zelaya, é querer fazer da postura de um partido a posição oficial da diplomacia brasileira desde os tempos do Barão do Rio Branco. Deve haver limites até para as falsificações históricas, que, de resto, nunca estiveram tão em moda.
E, por favor, que ninguém venha evocar o bufão de ópera de quinta categoria, Hugo Chaves, para justificar a postura “murista” tão defendida pelos mesmos de sempre.