Desde que li a matéria no Jornal dos Mesquita, edição de sábado, caderno de cultura, o espírito não sossegou até que fui buscar o exemplar na Livraria dos Herz, domingo à noite. A partir de então, a voz e o violão do Senhor João Bosco são senhores absolutos do humilde lar do pobre homem que vos tecla.
Detestei João Bosco durante vinte e seis anos para, então, finalmente descobrir que curto muito o som do sujeito. Pra não falar das parcerias. Volta e meia cito o Rui Castro, quando ele diz que cada vez que Tom Jobim abria o piano para compor, o mundo se tornava um lugar melhor, ainda que por breves instantes. Pois bem, qual planeta pode se dar ao luxo de prescindir da parceira João Bosco & Aldir Blanc? Certamente não esse planetinha de onde escrevo.
Está tudo lá. As letras do Aldir falando de dores de amores, inventados ou não, tanto faz. Ainda, a parceira com o filho Francisco Bosco, vai muito bem obrigado e, conforme já havia lido na reportagem supracitada, João está mais contido, mas nem por isso menos João.
Também já escrevi que títulos, seja em livros, músicas e, um pouco menos, em filmes tem o poder de me tirar da Terra. A faixa seis do novo álbum – ainda podemos chamar CD de álbum, Marcão? – chama-se Desnortes. Precisa dizer mais. Convite certo para viajar.
O próprio título do trabalho (?) – impliquei com o termo; não adianta, para mim é disco ou álbum; vez por outra me pego chamando banda de conjunto – o título, dizia eu Não vou pro o céu, mas já não vivo no chão, foi tirado da música Sonho de Caramujo, letra do dito Aldir, cujo pecado mais grave é ser torcedor do Vasco.
Porque, bem no fundo, apesar dos muitos disfarces e tergiversações, eu acho que todos somos um pouco portugueses. Há melhor forma de falar sobre saudades?