No futebol são famosos e muito comuns os casos de jogadores fabulosos que tiveram a má sorte de jogar no mesmo período e, pior, na mesma posição que um “crioulinho” que o Zito chamava de “gasolina”, o qual não muito tempo depois fez até mesmo as pedras das praias da Suécia se emocionarem, em 1958.
O caso de Julinho Botelho é citado como outro exemplo “do cara certíssimo, na época errada”. Julinho foi inventar de jogar na ponta direita justamente quando começava a despontar no Botafogo um cara esquisito, com pernas muito tortas, apelidado com nome de passarinho e vindo de uma cidade com nome de piada pronta. Impossibilitado de ser titular na Seleção Brasileira, Julinho foi ser “Rei” na Itália, com a camisa da Fiorentina. Na época, a Itália era prêmio de consolação e não Olimpo mais que desejado.
Pelé e Mané, quatro letras pra cada um, papel de coadjuvantes para muitos outros.
Com muitas bandas londrinas aconteceu o mesmo. The Kinks surgiu em 1964, ano em que os Estados Unidos foram invadidos pela segunda vez pelos ingleses, invasão essa comandada por quatro moleques de uma cidade portuária chamada Liverpool. Mesmo ano em que alguns caras não indicados para moças de boa família começaram a traduzir o espírito do Blues norte americano para os pálidos e atônitos ingleses. Sim, eles eram Keith (o líder), Mick e companhia. Os mortais os conhecem como Stones.
A música abaixo fala sobre o encontro de um cara com uma “garota”no bairro boêmio de Londres, na década de 60, o Soho. Citar travestis em música ainda não era muito normal; depois o Lou Reed pegou o gosto pela “coisa”. Vale ver ou rever The Kinks. O vocalista figuraça é Ray Davies. Volta e meia ele “quebrava o pau” (e outras coisas mais) com o guitarrista da banda, seu irmão Dave. E os irmãos Gallagher ainda acham que estão inventando “esse tal de Roque Enroll”. Dá licença?
Há poucos minutos, falando no CBN Esporte Clube, com o Nando Gross – um daqueles gaúchos que dá gosto ler e ouvir, apesar do bairrismo que às vezes faz com que pareça que vivem em outro sistema planetário – o Juca Kfouri ironizava a si mesmo insinuando que quem não estuda acaba virando jornalista. Injustiça! O que acontece é que, tendo que se posicionar a respeito de tantas coisas, o jornalista acaba como o goleiro, isto é, raramente suas vitórias são comemoradas enquanto seus erros os acompanharão até a sepultura.
Tudo isso para falar do Cony, cujas rabugices são há tempos folclóricas no Jornal do Heródoto (CBN) e onde quer que ele fale ou escreva. Além disso, houve o caso não muito bem digerido por alguns de seus pares, da indenização por conta das prisões durante o regime militar. Para além de todo imbróglio, o Cony quando não quer brincar de metralhadora giratória ou “do contra”, ainda é uma das vozes e textos lúcidos que tanta fazem.
No meio de tantos atentados contra aquela velha e melíflua senhora, a História, vale ler a coluna de hoje no Jornal dos Frias. Uma aula sobre o funcionamento dos regimes totalitários. Uma pequena correção, quando o Cony cita o alistamento compulsório dos jovens alemães e italianos em alguma organização nazista ou fascista, o que explica os nomes do Papa Bento XVI, Günter Grass e outros na juventude hitlerista e os de Fellini, Mastroianni, Vitorio de Sicca e outros nas hordas juvenis de Mussolini, cita também o nome de Martin Heidegger. Pelo que consta nos autos, Heidegger não se sentiu muito constrangido com as companhias. Vale a vista.
O passado de cada um
Volta e meia, o passado do papa atual, o alemão Joseph Ratzinger, é mencionado na mídia como o de um ex-integrante da Juventude Hitlerista. Antes mesmo de se tornar Bento 16, o detalhe de sua biografia já era lembrado por aqueles que não apreciavam as suas posições conservadoras.
Em primeiro lugar, nem todo conservador é necessariamente nazista, nem mesmo de direita. Há esquerdistas militantes que são mais conservadores, reagindo com histeria a qualquer tentativa de alterar o status quo de sua linha ideológica. Em segundo lugar, na Alemanha dos anos 30, os jovens eram compulsoriamente obrigados a se filiar em organizações do Estado manipuladas pelo partido único, que era o nazista.