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Clareando Idéias
 


FUTEBOL - SAUDADE

Com a falta de generosidade costumeira que caracteriza os grandes empreendimentos – sim, eu sei, inocência da minha parte – o Jornal dos Mesquita priva os não assinantes e os que não compram o exemplar na banca de outra crônica para “recortar e guardar” entre tantas com as quais o Ugo Giorgetti periodicamente nos brinda. (Sem acesso gratuito no Portal do dito jornal)

Como não dá para transcrever a crônica toda, registro no Clareando um momento da mais pura poesia/ tradução do futebol quando cumpre suas funções, a saber, encher os olhos, a alma e o coração de nós, pobres apaixonados e, como diria e disse Eduardo Galeano, mendigos que se esgueiram de estádio em estádio, com as mãos postas a implorar: “uma bela jogada, pelo amor de Deus”. Eis o Giorgetti escrevendo sobre aquilo que se viu na primeira partida das finais do Paulistão:

“Fábio Costa errou? Não, só não guardava mais em sua lembrança a imagem de um futebol brasileiro que desapareceu. E a razão por que todas as torcidas, malgrado elas mesmas, sufocando a irritação de admitir qualquer virtude num time rival, torcem por Ronaldo é simples: saudade. E pior, saudade do que não vimos. Daquilo que só os estrangeiros viram. Saudade das jogadas dos grandes jogadores brasileiros que não desfrutamos, que ficam perdidos em pequenas cidades da Espanha, da Grécia, da Itália, da Turquia, da Rússia, da Alemanha, muitas vezes contra times inexpressivos, diante de espectadores que nunca tinham visto aquilo. Mas nós tínhamos”.

Pois é, deu pra perceber que o Giorgetti, com a delicadeza de sempre, lamenta o êxodo dos deuses-meninos e, também, dos nem tão deuses assim, vamos chamá-los de “os nossos jogadores-passarinhos” que, com leveza e graça mostram o futebol como aquilo que de fato ele é: não um palco para brucutus que aprenderam a jogar bola chutando a cabeça de um carneiro ou de um adversário, como em tempos idos, mas um cenário de verdadeira magia, no qual a bola desenha os nossos sonhos por palcos profundamente verdes.

E como sonhar ainda é permitido e, a se dar crédito a Calderón de La Barca, é muito mais que permitido, informo a quem interessar possa que, nos preparativos para o campeonato mais disputado do planeta, a Série B, agora abrilhantada pelo glorioso Vasco da Gama da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a Máquina Verde da gloriosa Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das  Campinas do Mato Grosso de Jundiaí, goleou ontem, em Itapira, a briosa equipe do sub-20 do Campinas – 5x0 com direito a show de Maranhão e companhia. Início da campanha “Fica Maranhão, Bugrão na Série A”. Vocês, fiquem com o Giorgetti, não comigo.



Escrito por Fernando Baia às 10h31
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