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Clareando Idéias
 


FILME DVD - UM CERTO OLHAR (SNOW CAKE)

Um Certo Olhar é um daqueles filmes escondidos na prateleira DRAMA na vídeolocadora - ainda se chama assim? – que só poderiam ser descobertos pelo olhar de digamos, da Ane. No tempo de se passar uma década ela já aprendeu muitas das minhas manias, por exemplo, gostar do Alan Rickman, e pinçou essa pequena pérola (eita!) que conta ainda com Sigourney Weaver e Carrie Anne Moss. Típico filme pequeno... nas pretensões, mas muito bom cinema se entendermos por bom as interpretações.

 

Enfim, não vou contar o filme porque o que mais interessou foi essa reunião de ator e atrizes – as duas já tiveram seus grandes momentos “cinemão bão”, vide Aliens, com Sigourney e Matrix, com Carrie. Ah, os óculos da Trinity (suspiro longo e fundo). Alan Rickman nunca seria protagonista de um orçamento de U$ 100 milhões, mas o Xerife de Nottinghan que tentava atrapalhar os planos de Kevin Costner em Robin Hood entra com folgas na minha inexistente lista de dez vilões – menos pela vilania, muito mais pelo desempenho hilário de Rickman. Não penso em outro ator no papel de Severus Snape; talvez Robert De Niro, se houvesse uma máquina do tempo.

 

Tudo isso apenas para recomendar o vídeo abaixo, do Super Furry Animals, uma das músicas-chave do filme. Qualquer banda galesa merece os meus respeitos, o País de Gales tem lugar cativo e preferencial no meu coração, quando não por outro motivo, por conta de um certo gol na copa de 1958, responsável por apresentar ao mundo a encarnação pagã do deus do futebol.

 

Escusas antecipadas por que a senilidade precoce não deixa lembrar onde vi a cena de animação reproduzida abaixo. Provavelmente no próprio filme, mas, se foi “chupada” de um BLOG Amigo, peço socorro ao Maestro Antônio Carlos Jobim quando acusado de plagiar entre outros, Cole Porter: “A gente só plagia quem a gente ama”.

 

Ah, não sei se Lennon & Mc Cartney assinariam a música. George Harrison certamente endossaria o clip.

 

 

 



Escrito por Fernando Baia às 11h10
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ORA, DIREIS...

Em tempos de assassinatos da forma e do conteúdo intelectual nas mais diversas publicações, a Piauí continua, mês após mês, a ser o caminho do meio na Era dos Extremos (para usar o termo cunhado por Eric J. Hobsbawm).

 

Clareando reproduz abaixo introdução de matéria sobre as bibliotecas e a redução da procura por elas ao redor do mundo. As fotos que infelizmente  não ilustram esse post, e que podem ser vistas no mencionado link acima, mostram alguns espaços sagrados do culto aos livros, entre eles, o Gabinete Real de Leitura, na ainda bela e querida cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

Nesse link, o contraponto – sem ironia - à matéria da Piauí, no Blog do Marcelo Coelho.

 

“Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara...” a hora é pra rezar.

 

 

 

BABEL

 

No conto "Biblioteca de Babel", Jorge Luis Borges usa a biblioteca como metáfora do universo e da realidade a ser decifrada. Umberto Eco pegou o fio da meada do escritor argentino para sugerir que se devolva a escala humana às catedrais dos livros. O ensaísta italiano teme o cenário apocalíptico em que o manuseio de um volume venha a ser substituído, por questões de economia e segurança, por algum dos muitos formatos digitalizados já em uso. Em algumas bibliotecas, o processo de localização física de uma obra já se tornou tão complexo que é preciso, quase, aprender a navegar por GPS, escreve Eco. A romaria da humanidade a bibliotecas arrefeceu consideravelmente, no mundo todo, com o advento da era digital - nos Estados Unidos, entre 1978 e 2004, a circulação de obras retiradas em bibliotecas caiu pela metade. Mas a liberdade de acesso público ao universo dos livros, iniciada nos tempos romanos em contraposição ao uso privado das bibliotecas da Grécia antiga, continua sendo uma das grandes conquistas da civilização. Eis alguns desses templos de leitura.



Escrito por Fernando Baia às 12h25
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O TEMPORA! O MORES ! 2

 

Há tempos a vida inteligente nos grandes jornais reside em alguns dos seus colunistas ou articulistas. José Pereira Coutinho tem sido, às terças-feiras, água pura na aridez das notícias vazias e dos desmentidos – leiam a Naomi nos comentários abaixo.

 

Na coluna de ontem, na Folha, Coutinho dá a dica de uma revista recentemente lançada, Dicta & Contradicta, a qual, se credenciais fossem necessárias, já estréia com um artigo de Luís Felipe Ponde sobre o Eclesiastes. Não é pouca coisa. Infelizmente, terá periodicidade semestral e pode ser encontrada em poucas casas do ramo, entre elas, a Livraria Cultura.

 

Não é regra mais a chance de passar raiva é menor nos nichos especializados de cada assunto. Vide Bravo e Cult, por exemplo. Exceção que confirma a regra, a Super Interessante embarcou numa cruzada Dawkinsoniana e ateísta e compra gato por lebre a toda hora. A última, segundo um aluno e camarada comentou em sala de aula, diz respeito à figura do Príncipe D. João VI, última moda no que diz respeito ao revisionismo histórico que assola o planeta. Na ânsia de ir contra a corrente que pede a canonização de D. João, a revista se torna apenas “ranzinza” e deixa de ser opção lúcida.

 

Aliás, por falar em revisionismo, gozamos hoje o feriado que é fruto da vitória parcial da aristocracia paulista à custa da derrota e do sangue do resto da população do Estado. Transformar derrotas em vitórias faz parte do discurso que se pretende hegemônico. Comemorar com feriado também. A patuléia (como diria o Gaspari) agradece.

As imagens desse post foram pinçadas no WIKIPEDIA e são exemplos do material de propaganda dos paulistas. Bom até como piada, que me perdoem os puristas.



Escrito por Fernando Baia às 12h13
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REGALO - ALICIA AYALA

Ainda na fase “louco por fotografia” - apesar do incentivo de amigos, estou cada vez mais convicto que meu lugar nessa praia é admirar e não fazer fotos - eis um link para o sítio da Alicia Ayala. Os seis que acompanham o Clareando sabem que ela é uma das editoras da IdeaFixa, uma e-magazine especializada em design, fotografia, artes plásticas e outros bichos, além de um BLOG muito descolado. Em tempos de Daniel Dantas, Celso Pitta e outros que estão de volta à mídia, dessa vez na página correta, as fotos da Alicia são um refresco, muito embora nem sempre doces. Lamentavelmente não encontrei as referências de cada foto e, assim, coloco uma das minhas favoritas entre as disponíveis no Olhares – Fotografia Online. Explorem os links, s’il vous plait.

 

P.S.: Por conta das obrigações da semana, alguns posts devem sair nos primeiros minutos da madrugada. Abaixo vocês têm uma rabugice típica de segunda-feira publicada nos primeiros minutos da terça.

 



Escrito por Fernando Baia às 11h34
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LITERATURA - FLIP

Algo está acontecendo nos últimos quinze ou vinte anos e o Brasil está, lentamente, deixando de ser provincial e quintaleiro (acabei de inventar é deve significar algo como aquele que acredita e professa o início e o fim do mundo nos limite de seu quintal; é por aí). Menos pela profusão de astros e bandas em fim de carreira e de qualidade duvidosa que vem faturar os últimos trocados nessas plagas (eta!) e mais por iniciativas que de fato apontam para uma abertura no nosso horizonte cultural.

 

As jornadas de Passo Fundo e, mais recentemente, a FLIP – Festa Literária de Parati, a primeira promovendo um encontro entre público e escritores de todos os cantos do Brasil; a segunda mostrando a todos nós, bororós, guaranis, xavantes e tantos outros, cada qual se achando inglês, francês, italiano, alemão ou americano, que Angola, Moçambique, África do Sul, Nigéria, Colômbia, Cingapura e mais, mais, mais, têm literatura, sim senhor. Muitos dos temas levantados pelos respectivos escritores são universais, e mesmo quando regionais, também são profundamente interessantes, quando bem escritos, uma vez que pertencemos todos a mesma raça, a humana.

 

Tudo isso pra falar do espanto, tristeza e bronca, tudo isso misturado, quando leio o caderno de cultura de um dos maiores jornais do país, a Folha de S. Paulo, e vejo a visão pobre na cobertura desse tipo de evento. Na verdade, o estranhamento começou a cerca de duas semanas quando o Caderno Mais promoveu uma disputa sem sentido entre Machado de Assis e Guimarães Rosa pelo título de maior escritor do Brasil. Pauta mais apropriada a um tipo de revista muito conhecida ou programa vespertino de televisão.

 

Nos dias que antecederam a FLIP e durante o evento, a cobertura do jornal insistiu no termo “uma FLIP sem estrelas” e coisas pelo estilo. O que significa isso? Será que a Folha espera que esse encontro literário se transforme em um evento de badalação e os convidados “estrelados” sejam recebidos pelas Juliana Paes, Débora Secco e outras (os) menos cotadas em busca dos famosos quinze minutos de Andy Warhol?

 

É estranho e contraditório porque o mesmo periódico passou os dias da Feira falando no sucesso popular e nas horas de fila para autógrafo do mestre dos quadrinhos adultos, Neil Gaiman. Aliás, espaço merecido para um cara que revolucionou o jeito de se fazer e de se ler quadrinhos.

 

Na contramão, não é de hoje que nossos cadernos culturais inflam egos de gente como Efraim Medina Reyes e, agora, Fernando Vallejo numa aposta típica de jornalismo sensacionalista, o que faz pensar também no esvaziamento da profissão e a confusão feita na cabeça dos garotos recém-formados que caem de pára-quedas nas redações e disputam espaço no assim dito jornalismo cultural, ansiosos eles também pelos já citados quinze minutos. Desnecessário dizer qual grupo jornalístico apostou nesse esvaziamento e transformou as páginas antes destinadas às discussões relevantes sobre música, literatura, cinema, teatro, artes em geral em meros apêndices das páginas de divulgação dos patrocinadores dos eventos. Depois ainda perguntam a causa do sucesso da Blogsfera.

 

Rabugices de segunda-feira que acabaram sendo postadas na terça. Scusa.



Escrito por Fernando Baia às 00h15
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