Meu humor
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, CAMPINAS, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English



Arquivos

Outros links
 Blog do Marcelo Coelho
 Blog do Tas
 Cinema - Merten
 Cronópios
 Daniel Piza
 Desculpe a Poeira (Ricardo Lombardi)
 É Tudo Verdade
 Máquina de Escrever (BLOG Luciano Trigo)
 Olha Só (Ricardo Calil)
 Pensamentos de Uma Batata Transgênica
 Sequências Parisienses
 Todoprosa
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 My Space




Clareando Idéias
 


REGALO - ELLEN KOOI

Ellen Kooi, com mencionado alguns posts abaixo, é uma fotógrafa holandesa. Nascida em 1962, ela fez seus estudos (graduação e pós) na sua terra natal. Difícil não fazer a comparação com outro neerlandês fantástico chamado Vermeer e dizer que essa gente é muito caseira mesmo. Comparação de resto sem nenhum sentido, uma vez que, se Vermeer nasceu em Delft, no século XVII e nunca botou os pés pra fora de sua cidade, Kooi já correu mundo expondo seu trabalho. Justiça seja feita, suas intervenções e fotos têm como tema a paisagem holandesa.

 

Difícil é escolher uma foto no site dela! Pra quem não aproveitou o link da IdeaFixa, mais uma chance.

 

 

Essa foto não é a minha favorita, apesar de linda e muito bem composta.

Estava disponível no IdeaFixa, já que o site da fotógrafa é bem protegido.



Escrito por Fernando Baia às 18h29
[] [envie esta mensagem
] []





UM PENSAMENTO

“Clássico é a forma elegante de chamar tudo aquilo que não envelhece”.

 

JOÃO MOREIRA SALLES.

 

Uma História idiossincrática da simplicidade (2).

 

Publicado no saudoso e cada vez mais necessário NO. (No Ponto).



Escrito por Fernando Baia às 17h55
[] [envie esta mensagem
] []





IdeaFixa

Eu não sei exatamente porque caminhos cheguei até a IdeaFixa, mas se forçar um pouco – certo, não tão pouco – a memória, o atalho deve ser uma dica do BLOG do Tas.

 

No início achei só curioso, no entanto a revista on line era específica demais pro meu gosto, feita pra iniciados e não pra iniciantes em design, foto e outros bichos. Muito menos para meros curiosos como a pobre alma que vos tecla. Como subscrevo alguma coisa que eu não sei definir pelo nome moderno no site da Idea, frequentemente me enviam mensagens com as novidades e, eis me aqui, completamente basbaque com a virada da revista que agora virou também um BLOG e tem uma pancada de gente interessante colaborando.

 

Além da profusão de cores – lidam com design, não esqueçam – um monte de links de fotógrafos e artistas variados. Eu fiquei totalmente vidrado nas fotos de uma holandesa chamada Ellen Kooi. Fora isso a Alicia, uma das editoras e criadoras e que se a memória não me trai muito, está morando atualmente na Argentina, tem posts muito bem humorados sobre “n” assuntos, como, digamos, quadrinhos argentinos, para ficar em um só.

 

A outra editora é Janara Lopes, que também posta no BLOG e deve estar em Londres. Como vocês podem ver, as duas não têm um gosto lá muito bom para escolher as cidades onde vivem. Se não deu pra perceber, estou brincando.

 

A proposta de diversificação tornou o sítio muito mais interessante. Dá pra gastar um tempo enorme vendo as imagens e lendo o BLOG. Ideal pra visitar e viajar de madrugada.

 

Abaixo, uma mostra do que se encontra por lá. Ah, o link que eu botei acima – da revista – joga o internauta nos posts da Alicia. Vale a pena.

 

 

PS. A IMAGEM ACIMA É DE UM FILME CHAMADO BEAUTIFUL LOSERS E A DICA FOI POSTADA PELO FÁBIO FAVARO. DAR OS CRÉDITOS A QUEM DE DIREITO FAZ BEM.



Escrito por Fernando Baia às 19h46
[] [envie esta mensagem
] []





ESPORTE - WIMBLEDON

Acabou agora o terceiro set do jogo entre “Rafa” Nadal e Ernests Gulbis, da Letônia. Quem viu a comemoração do espanhol quando ganhou os últimos pontos do tié-breaker do terceiro set tem uma idéia do alívio que o número dois do mundo deve ter sentido. Gulbis complicou a vida do cara até agora.

 

Veja o link que te leva a transmissão dos jogos de Wimbledon.

 

Só vi o terceiro set da partida e vi como o letão tem jogo para estar entre os cinqüenta e avançar um pouco mais no ranking (atualmente ele é o número 48 no sistema de entradas e 46 na corrida).

 

O tênis masculino atual está muito nivelado, com alguns sujeitos acima da média, um dos quais na categoria “fora-de-série” ou “Deus fez e esqueceu a fórmula”. Não cito o nome para o pessoal de Itu não acreditar que o cara já está na Morada dos semideuses. Não está.  

 

Federer deu uma declaração interessante antes do início de Wimbledon. Disse ele que no circuito atual existem muitos caras capazes de jogar bem “all rounds”, ou seja, em todas as superfícies. O próprio Nadal melhorou muito o seu arsenal de golpes na grama, mas não creio que possa vencer na Inglaterra esse ano. Seria bom para o circuito se estivesse enganado.  

 

Jogadores como Gulbis e Bellucci (vai crescer muito! Vai crescer!) estão chegando a um plano em que a cabeça passa a ser mais importante que os golpes, os quais eles já dominam consideravelmente. Algo como dirigir um carro. Depois de aprender a controlá-lo, sua cabeça vai dizer que tipo de condutor você será.

 

Bellucci perdeu na segunda rodada em Wimbledon um jogo que esteve várias vezes nas mãos dos dois jogadores. Acho bobos os comentaristas que dizem “a partida foi decidida nos detalhes”. As melhores são decididas nos detalhes, isso é parte da graça do esporte competitivo. Quando Roger faz 6x0; 6x1, 6x4 em algum John Something Else significa que no terceiro set ele não jogou tênis tal a facilidade encontrada nos dois primeiros. Uma partida de Grand Slam em cinco sets é uma homenagem ao esporte.

 

Desculpem, estou empolgado e verborrágico hoje.

 

PS: Nadal perdeu o primeiro set, 7x5; ganhou o segundo, 6x2 e o terceiro, no tie-breaker, 7x6(7x2). Quando acabo o post, o espanhol vai fazendo 4x3 com saque contra e tem um duplo break. A quadra central está cheia e linda, o céu inglês não surpreende.



Escrito por Fernando Baia às 12h02
[] [envie esta mensagem
] []





LITERATURA - MACHADO DE ASSIS

2008 é o Ano Nacional de Machado de Assis. Por conta disso, nós, os leitores, somos brindados com uma série de lançamentos e reedições os quais reforçam ou desvelam novos aspectos da tempestade literária do Bruxo de Cosme Velho. Aliás, bom que se diga, o professor John Gledson, da Universidade de Liverpool e um dos maiores especialistas em Machado, implica com a expressão acima; eu acho lisonjeira e lírica.

 

Lamentavelmente, essas efemérides também dão espaço pra algumas matérias dispensáveis, como a que ocupou o Caderno Mais do último domingo propondo um FLA x FLU literário: quem foi o maior escritor do Brasil: Machado de Assis ou Guimarães Rosa. Felizmente, alguns dos intelectuais consultados colocaram a discussão no seu devido nível relevância: nenhum.

 

Na contramão, a EDUSP está relançando o livro do professor Valentim Facioli, cujo título é um pouco estranho para o meu gosto, mas que apresenta uma premissa interessante: Um defunto estrambótico – Análise e interpretação das Memórias Póstumas de Brás Cubas. Facioli propõe que uma das formas de leitura de Memórias é a oposição entre o antigo, a sociedade escravista desgastada e o moderno, que a custo impõe-se.

 

Vygotsky, mais conhecido por seus trabalhos nas áreas de educação e lingüística, escreveu um livro interessante A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca, na qual tentando fugir da crítica tradicional propôs a “crítica do leitor”, isto é, defende que uma vez terminada, a obra desgarra-se de seu autor e presta-se a quantas interpretações seus leitores forem capazes. Chega mesmo a dizer que o autor por vezes não é o melhor intérprete de sua obra.

 

Eis aí, no centenário de sua morte, Machado á disposição de novas leituras e leitores.

 

Abaixo, algumas dicas de leitura. Voltamos ainda hoje, com “África 2”.  

 

* Um Defunto Estrambótico – Análise e Interpretação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (2008) – Valentim Facioli (EDUSP).

 

* Narradores de Machado de Assis (2007) - Gabriela Kvacek Betella (EDUSP).

 

* Os Leitores de Machado de Assis (2004) – Hélio de Seixas Guimarães (Nankim Editorial).

 

 



Escrito por Fernando Baia às 09h18
[] [envie esta mensagem
] []





Stacey Kent foi anunciada como uma das atrações jazzeiras do próximo Tim Festival, em outubro, na tupiniquinlândia.

 

Em tempos de cinqüenta anos de Bossa Nova segue a versão do Samba da Benção, de Baden e Vinícius; ganhou o poético título Samba Saravah.

 

No post anterior vocês têm “África 1”.

 



Escrito por Fernando Baia às 00h07
[] [envie esta mensagem
] []





ÁFRICA PARTE 1

Em Cobra Verde, filme do diretor alemão Werner Herzog, um traficante de escravos saído do Brasil faz fortuna com o comércio ilegal de negros passando a ser conhecido como Vice-Rei de Uidá. Antes e depois desse filme, outras obras que tem a África como tema oscilam entre os extremos da vitimização e das guerras tribais como responsáveis pelas desgraças do continente. No primeiro caso o destino dos africanos sempre andou a reboque dos destinos de outros senhores. No segundo, os europeus nada mais fizeram do que explorar as profundas divisões entre senhores da guerra e, claro, lucrar com isso.

 

Um historiador cuidadoso cuidaria de dizer que as várias versões de uma mesma história, quando bem interpretadas, têm boas possibilidades de resultar em uma colcha de retalhos bem acabada.

 

O Brasil tem um passado comum com algumas regiões da África seja por conta das relações comerciais – o tráfico de escravos – seja pelo fato de ter sido colonizado pela mesma metrópole, o que nos dá uma língua comum. Infelizmente a historiografia, reflexo das mentalidades das gentes, optou durante muito tempo por ignorar esse passado comum, enxergando Angola e Moçambique como meros fornecedores de mão-de-obra e, por isso, formadores da nossa mistura racial (essa expressão está banida pelos bem pensantes, scusa).

 

Citar apenas um nome nesses casos é o caminho certo pra cometer injustiça; erro maior, penso eu, é não destacar Luís Felipe Alencastro e o seu O Trato dos Viventes como um dos trabalhos que mais contribuíram para o entendimento do sistema formado no Atlântico Sul entre o nordeste açucareiro e Angola. O coração pede que eu não esqueça do professor Robert Slenes, da UNICAMP, que por meio de seus estudos sobre a família escrava, no Brasil e na África, formou e forma uma geração de gente que aprendeu a olhar para o outro lado do oceano e enxergar histórias complexas de indivíduos e sociedades.

 

Tudo isso pra dizer que nos primeiros passos do século XXI, o continente africano ainda oscila entre o papel de fornecedor de matéria-prima e mão-de-obra baratas e o abandono de populações inteiras, descartadas do grande jogo do mercado mundial cada vez mais globalizado e, ao mesmo tempo excludente, já que essa é a tônica dominante do sistema em que esse mercado está inserido.

 

Nas primeiras páginas da edição de ontem (Tendências e Debates), a Folha de S. Paulo trouxe artigo interessante do professor e pesquisador Jacques D’Adesky, enfocando o papel da China e suas relações comerciais com a África. No vácuo deixado pelo fim dos acordos preferenciais com a União Européia, a China abriu – e aqui cito o artigo – “uma rede de representações comerciais em quarenta e nove países africanos. (...) Além do comércio, a África aparece como um dos alvos privilegiados dos investimentos chineses, como uma espécie de plano piloto em uma estratégia para a globalização de suas empresas”.

 

Em bom português pode ser entendido assim: em algum momento na linha de crescimento econômico chinês não será mais possível manter os trabalhadores sobre o estrito controle do Estado e será, então, necessário o plano B, qual seja, plantar indústrias em outros locais nos quais os direitos trabalhistas sejam ainda menos respeitados ou inexistentes. A África, com a conivência dos potentados locais sempre desempenhou bem esse papel. Vem à cabeça um conversa de semanas atrás com o nunca suficientemente citado M. Bernardi: cada vez que a Globo foi ameaçada pela concorrência, isso não significou uma melhora qualitativa da programação ofertada à plebe ignara, antes pelo contrário.

 

A derrocada político-econômica norte-americana e a conseqüente multipolarização do planeta também não garantiu nenhuma melhoria nas relações político-comerciais entre os países, mas sim a repetição de velhas e gastas fórmulas com uma embalagem recauchutada.

 

Confesso com uma ponta de maldade, que me satisfaria muito ver a cara da nossa “nobreza política togada” – vocês sabem quem são, não vou citar – a qual, na década de noventa sonhou em reinventar as relações econômicas no universo e desdenhou da aproximação da “gente” que lhes sucedeu no poder com alguns países africanos.

 

Não se deve esquecer que qualquer aproximação cujo objetivo seja meramente econômico tende a reproduzir o comportamento neo-colonizador do século XIX que, em troca de privilégios financeiros, fazia vistas grossas aos desmandos dos senhores locais, isso quando não instalava no poder um fantoche cumpridor de suas obrigações junto à “Metrópole”.

 

 

(CONTINUA)



Escrito por Fernando Baia às 12h46
[] [envie esta mensagem
] []





PEQUENA NOTA À GUISA DE DESCULPAS

No início do mês, Clareando anunciou uma série intitulada “Sobre o exagero” através de um post introdutório. O resultado foi tão pessimista e mal humorado que, não querendo entrar em uma disputa contra outros trezentos e dezoito candidatos ao posto de Paulo Francis cover, resolvi arquivar os comentários na pasta “não publicáveis”. Ninguém precisa ouvir - no caso, ler - considerações pessoais sobre a péssima voz e a falta de senso de oportunidade dos que cantam em voz alta e de olhos fechados no metrô, acompanhados de seus i-pods.

 

Por outro lado, os posts sobre História, se não rendem todos os comentários e as trocas de opiniões esperadas – a idéia desse BLOG era provocar algum debate, lembram ? – mostram, através do número de acessos, que tem gente interessada nesse assunto, o que muito me alegra.

 

Então, aproveitando a feliz “coincidência” de ter lido apenas no dia de hoje, três matérias com diferentes abordagens sobre aquele gigantesco e fascinante pedaço de Terra, a África, as seis almas gentis que me honram com suas companhias podem, a partir da próxima madrugada, encontrar aqui no Clareando uma série de comentários – amadores, é bom que se diga – abordando a História, a Geopolítica e os efeitos da Globalização no continente africano.

 

Como sempre, comentários, observações e discordâncias são sempre bem-vindos. Até já.



Escrito por Fernando Baia às 18h16
[] [envie esta mensagem
] []





MÚSICA - REDEMPTION SONG

 

Como o Lombardi certamente escreveria, “uma boa música para começar a semana”. É possível encontrar dezenas de versões de Redemption Song no YouTube. Essa versão é a minha favorita e eu não sou louco o suficiente para tentar explicar Joe Strummer.  Quem ouviu Clash sabe do que estou falando. Nesse número ele se faz acompanhar pelos Mescaleros, sua última banda.

 

Ah, sinceramente obrigado pelo número de acessos aos dois posts sobre Os Tudor.

 

Um trecho da música de Bob Marley por tudo que vem acontecendo nos morros, aos olhos dos bem pensantes.

 

Won't you help to sing
these songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

 



Escrito por Fernando Baia às 02h09
[] [envie esta mensagem
] []





HISTÓRIA - OS TUDOR 2

É difícil entender porque os roteiristas de cinema se utilizam de expedientes pra lá de duvidosos, quando não de muito mau gosto em seus filmes pretensamente históricos quando, a História ela mesma é repleta de intrigas palacianas, traições e disputa sangrentas e, o que é pior, verossímeis, uma vez que se trata das relações entre as gentes, tão complexas em seus sentimentos.

 

Um filme como Coração Valente, por exemplo. É preciso criar aquela baita “licença poética”, a aproximação pra lá de inverossímil entre a princesa Isabel, da França, esposa do futuro rei, Eduardo II e William Wallace? É preciso caricaturar a homossexualidade de Eduardo sendo os episódios de sua vida e sua escolha sexual povoados de drama conhecidos pelos espectadores do filme triste e melancólico que leva seu nome e foi dirigido Derek Jarman?

 

A única opção falsa, mas defensável no filme é a transformação de um personagem histórico secundário – William Wallace – no herói da independência escocesa, no início do século XIV. Robert, the Bruce, retratado como fraco, manipulável e traidor, foi o verdadeiro condutor do efêmero processo de Independência. Bruce certamente merece todos os adjetivos acima e ainda outros mais, positivos e negativos, pelo fato de ser uma persona complexa e preso a compromissos de estamento. Claro, para os propósitos de Mel Gibson, é sempre mais fácil criar um personagem oriundo das camadas médias, já que a nobreza é antipática ao gosto médio.

 

Na própria história dos Tudor, recuperada brevemente pelo artigo de Clifford Davies, há elementos para fazer a eterna felicidade de Glória Perez e Aguinaldo Silva, para ficar apenas em dois. Não cabe entrar nos detalhes, mas a construção da dinastia Tudor passa por casas reais francesas, galesas e, por uma combinação, uma trégua arranjada entre as duas “gangues” que se trucidavam havia trinta anos, naquilo que ficou conhecido como A Guerra das Duas Rosas (1455-1485), um confronto entre as duas principais casas da nobreza inglesa de então, os Lancaster e os York, pelo trono britânico.

 

Os detalhes picantes passam por um número elevado de pretendentes ao trono com “pedigree” duvidoso, ou simplesmente, bastardos. Os detalhes eruditos passam pela origem do patronímico Tudor e Davies aponta dois caminhos: o casamento da viúva de Henrique V, a francesa Rainha Catarina com um membro de sua casa dinástica, certo Owain ap Mareddud ap Tudor e nesse ponto o historiador britânico assinala que os Tudor poderiam perfeitamente ter se tornado os Merediths (Mareddud).

 

A outra conexão aponta para o sul da Ilha, Wales ou País de Gales, uma “família” declaradamente bastarda – diga-se, por seus oponentes – os Tyddir. Essa história, segundo o autor do artigo, é descrita em “Giles Chronicle”, de 1450, na qual se enfatiza a “inabilidade da Rainha Catarina para conter suas paixões carnais”, o que condenaria sua linhagem à impureza. Desnecessário dizer que a autenticidade dos documentos pode e deve ser questionada, uma vez que produzida pelos adversários.

 

Dois pontos me parecem os mais importantes dentro da douta pesquisa de Davies. O primeiro deles é que mesmo para os mais brilhantes e poderosos agentes da História, essa velha senhora enganadora é muito mais surpreendente e veloz que os indivíduos. Suas transformações só podem ser apreendidas em sua totalidade algum tempo depois, quando as paixões esfriam. Para os Tudor, sua origem era simplesmente os York e os Lancaster, relativamente apaziguados e compartilhando o poder. Os historiadores, em sua infinita necessidade de explicar seu objeto, criam os recortes para tornar compreensíveis o emaranhado do novelo da História.

 

O segundo ponto, subjacente ao texto como um animal espreitando a caça, é exatamente a multiplicidade de vozes que formam o evento histórico. Quando um adjetivo como “bastardo” ou “impuro” é utilizado, antes de qualquer coisa, o leitor preocupado com a precisão deve perguntar a si mesmo que produziu aquela informação. Tomando um exemplo doméstico poderíamos perguntar qual historiografia construiu as imagens de D. João VI – atualmente sofrendo um processo de canonização exagerado – e do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Quem produz o texto é isento? Não tem paixões, preferências, interesses políticos?

 

Lamentavelmente, esse tipo de questionamento é cada vez mais ausente nas salas de aula, uma vez que não cai no vestibular. A Guerra das Duas Rosas, caso o professor siga as orientações da apostila é dada em quatro minutos, quando não apenas mencionada “em passant”. Certamente essa opção feita há pelo menos quarenta anos no Brasil – retirar todo ou quase todo o conteúdo humanístico das disciplinas e se concentrar na formação de técnicos – explica a proliferação de i-pods em funcionamento nas salas de aula durante a explicação daquela figura cada vez mais Shakespeariana, o professor.



Escrito por Fernando Baia às 12h45
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]