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Clareando Idéias
 


AMÉRICA LATINA Parte 1

 

 

Em minhas mãos, essa semana, cortesia dos “Sanches”, dois jornais chilenos. Uma das minhas manias é pedir aos amigos que viajam dentro ou fora do Brasil, para que me tragam um ou mais exemplares de jornais das localidades visitadas. Quando viajo, a primeira providência na chegada é comprar um jornal, mesmo que seja em Valinhos, Atibaia ou Poços de Caldas. Fixação, eu acho. Dessa vez não pedi, mas ganhei.

 

Uma das coisas que me deu inveja no “Mercúrio” foi uma matéria, pequena é verdade, sobre o novo filme de Daniel Day Lewis, “Oil”, baseado em livro de 1927, que trata da exploração de petróleo nos EUA. Havia um tempo não tão distante, em que os jornalões de SP possuíam correspondentes que antecipavam notícias de filmagens que só seriam concluídas meses depois. Assim, nós os tupiniquins, criávamos expectativa e incendiávamos os debates. Aqueles que eram cinéfilos, bem entendido.

 

Hoje, vivo mendigando esse tipo de notícias em BLOG’s, o que é muito legal. Mas ás vezes sinto falta da matéria impressa, para ler muitas vezes, guardar e encontrar muito tempo depois a notícia do filme que já estreou. Nos jornais impressos, [Merten] e [Zanin] resistem bravamente no “Estadão”, cobrindo os festivais de cinema mais importantes (Cannes, Veneza, Berlim, Rotterdã). Na “Folha”, [Sérgio Dávila] é correspondente em Nova York e viaja o mundo todo, mas eu gosto mesmo é do BLOG dele, cujos posts não chegam todos ao jornal. Aliás, os mais interessantes, sobre cultura em geral, não chegam.

 

A América Latina ditou o meu ritmo nessa semana que vai acabando lentamente. Quarta-feira, esperando a carona de volta, sentei praça no Memorial da América Latina. Como já escrevi no início do Clareando, eu gosto do Memorial, mas ele simplesmente não pega. Fiquei sentado nos bancos de cimento por cerca de meia hora e só vi funcionários.

 

Se fosse privado, já estaria fechado há tempos e, no entanto, culturalmente é muito interessante. O sítio disponibiliza jornais de todos os países da América falante de espanhol para leitura on-line. Muitos cursos são oferecidos gratuitamente, além das exposições – há alguns meses vi Fernando Botero e uma exposição que abordava a violência em sua terra natal, a Colômbia.

 

Acho que escrevi a palavra chave para entender o abandono algumas linhas acima: CIMENTO. È muito cimento, por todo canto, a arquitetura típica do Niemeyer que não consegue amenizar a dureza do cimento. Quem não sabe do que estou falando, pense em Brasília. No Memorial, no Museu de Niterói, em Brasília, falta algo. Algo que não falta no MASP e, certamente, não falta em “Bel Zonte”, que os mineiros nascidos lá chamam de BH e o resto do país conhece por Belo Horizonte. Citei dois exemplos, um Museu e uma cidade “planejada” que possuem alma. 

 

Voltamos ao assunto Nuestra America.

 

A foto acima, belíssima, foi tirado do sítio "Alma de Viajante", vista de Machu Picchu no final do "Caminho do Inca".  Acho que dispensa comentários.  http://www.almadeviajante.com



Escrito por Fernando Baia às 11h46
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O FUTEBOL FALTOU AO ENCONTRO

Acabei de ler no UOL que o Dunga reclamou muito da torcida presente no Morumbi ontem à noite para assistir o “freak show”. Não tem razão.

 

Essa é uma discussão infindável e há bons argumentadores dos dois lados. Fico totalmente à vontade para criticar, pois fui dos que deram crédito ao gaúcho quando de sua condução ao cargo máximo da nação pelas mãos do todo poderoso Ricardão. Mas, MEA CULPA!

 

Já passaram das medidas os maus modos do ex-capitão do tetra. Citar o apoio das torcidas da Colômbia e da Argentina é desconhecer as particularidades da “torcida canarinho”. Acho péssimo exemplo esse negócio de que segundo colocado é o primeiro entre os últimos, mas para merecer o apoio é preciso algo mais. Empenho e organização já seria um bom começo.

 

A [Soninha Francine] escreveu essa semana, criticando a estrutura das eliminatórias na América do Sul, desmotivantes para a seleção brasileira. Estou de acordo. Mas como não há mudanças no horizonte, ou se disputa com um time B ou se deixa de exigir a entrega total do torcedor. Ou, hipótese improvável, se joga um pouquinho mais de bola. Três chutes a gol no primeiro tempo é brincadeira.

 

Estou sem paciência com o Robinho. O cara sabe jogar bola? Claro que sabe! Mas não dá pra ficar dando toquinhos pretensamente geniais em todas as jogadas, meu filho. Joga mais simplinho, joga! Meu coração e fígado agradecem.

 

Ronaldinho Gaúcho ainda tem crédito e Kaká – implico com esse apelido, não tem jeito – podem dizer o que quiserem, é quem joga mais sério naquele negócio.

 

Alex, Gilberto, Gilberto Silva? Como um antigo personagem do Jô Soares dizia: “Você não quer que eu volte”!

 

Apesar do nome do camarada ter origem pagã, coloca São Júlio César no altar futebolístico brasileiro. Mas, ele falhou no gol, junto com todo o miolo de zaga, que estava jogando em linha.

 

Luís Fabiano: em terra de cego, quem tem um olho é rei.

 

Por último, fico preocupado com o vírus que parece atacar técnicos da seleção e presidentes da república. Os camaradas não aceitam nenhuma crítica e ficam dodói quando alguém expõe seus pontos fracos. Pior, quem não tem nenhuma educação, como é o caso do... Dunga, fica ainda mais mal educado. Dá licença!

 

Abaixo opinião do [Vítor Birner] sobre o jogo. Assino embaixo e reconheço firma. Visitem o Blog do cara. Ele é são-paulino não assumido, mas ainda assim vale a pena.  

 

CULPA DO URUGUAI

 

VITOR BIRNER

 

O Uruguai foi bem superior, mas a vitória brasileira por dois a um foi justa. A arbitragem não mudou a história do jogo.

Por que ganhou?

Luís Fabiano estava inspirado. Marcou dois gols apesar de ter recebido apenas uma “bola boa” ( a do segundo gol ) em toda partida.

A sorte acompanhou a equipe de Dunga, tanto é que a “ bola boa” chegou até o centroavante depois de Gilberto errar o chute de maneira bisonha.

Júlio César garantiu atrás.

Acima desses fatores, as falhas técnicas, os erros individuais, derrubaram a Celeste Olímpica.

De que adianta dar um vareio como na primeiro tempo e sair para o intervalo empatando.

Criou mais, contudo foi muito incompetente nas finalizações.

Carini falhou no gol da etapa inicial.

O Uruguai pagou pelos próprios erros.



Escrito por Fernando Baia às 19h09
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FUNDAMENTALISMOS? SOY CONTRA!

Um dos livros mais vendidos do ano chama-se “Deus, Um delírio” do inglês Richard Dawkins. O autor ataca, de forma virulenta, a crença na existência de Deus. Inicialmente não dei nenhuma importância, pois esse tipo de discurso é conhecido por demais. Há muitos anos também se repete o discurso sobre o fim das ideologias, o que, por si só é uma ideologia: todo o resto acabou, resta aquilo que eu digo como certo.

 

Nada contra, se os defensores do fim da ideologia e do fim de Deus tivessem um comportamento melhor do que seus alvos, os defensores das ideologias e da crença em Deus. O fato é que Dawkins, como um pregador do ateísmo, brande argumentos furiosos sem argumentação teórica clara. Pior, desqualifica qualquer argumento contrário, sem debatê-lo. Assim, os que crêem são irracionais, delirantes ou coisa pior. Passamos por algo parecido no Brasil, entre os anos de 1994-2002. Qualquer um que ousasse criticar a genialidade do governo da vez levava a pecha de burro, bobo e outros adjetivos “maduros”, além de um caminhão de ironias.

 

O governo do país mais poderoso do planeta utiliza estratégia semelhante para justificar suas aventuras militares nos quatro cantos do globo. A diferença é que Bush & Co usam a religião como alicerce para seus atos. Trata-se no caso de Dawkins e do governo Bush, de fundamentalismo, um ateu e outro religioso. Nesse ponto de vista, todo aquele que não comunga na mesma cartilha é a encarnação do mal e merece ser combatido com aspereza; no caso do governo americano, prega-se a destruição do inimigo.

 

Por isso, os que acreditam em moderação devem saudar o lançamento de “O delírio de Dawkins”, do casal Alister e Joanna McGrath. Eles, assim como Dawkins, são acadêmicos respeitados, senão me falta a memória, de Oxford.

 

Mais que um mero questionamento dos argumentos, o que me chamou a atenção para o livro é a forma como os autores desmascaram a aparente racionalidade de “Deus, um Delírio”. Entregam o proselitismo existente: “se eu obtiver algum sucesso, os leitores crentes se tornaram ateus ao final desse livro”; questionam como um cientista outrora equilibrado transforma-se em um raivoso combatente e argumentam que não há incompatibilidade entre fé e ciência, entre fé e razão.   

 

O cineasta argentino Fernando Solanas, em plena efervescência do culto neoliberal, declarou: “os idiotas estão ganhando”. Gente como Dawkins aparentemente está ganhando por que grita mais alto. É preciso responder a eles, com calma, sem aumentar a gritaria.

 

SERVIÇO:

 

“Deus, um delírio”. Richard Dawkins. Companhia da Letras. 2007.

 

“O delírio de Dawkins”. Alister e Joanna McGrath. Mundo Cristão. 2007.



Escrito por Fernando Baia às 11h44
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BOBBY- Filme

 

Nos últimos posts temos conversado, de forma mais ou menos leve, eu espero, sobre filmes, liberdade de escolha e a ausência disso.

 

Nos últimos dias, líderes civis têm confundido o conceito de democracia e, pior, comparando banana com laranja, isto é, regimes presidencialistas com regimes parlamentaristas, coisa que, nos ensinaram no primário, não é conveniente fazer. Esse ato pressupõe ignorância ou má fé. Ambas as possibilidades são ruins.

 

No preguiçoso domingo, alugamos Bobby. Um filme dirigido pelo ator e agora diretor, Emílio Estevez. Minha primeira impressão não foi das melhores. Tenho certa antipatia por filmes “patchworks” que tentam sustentar-se numa constelação infindável de astros e estrelas. Bobby tem para todos os gostos: Sir Anthony Hopkins, Sharon Stone, Ashton Kutcher, Demi Moore, Heather Graham, Christian Slater, Lindsay Lohan e outros, outros, outros...

 

Como dizia, à primeira vista achei que Estevez tentou imitar sem muito sucesso Robert Altman – cujos últimos filmes não gostei.

 

Hoje, segunda-feira, dei mais uma chance ao filme. Bingo! A mistura entre as histórias de pessoas comuns das mais diversas origens ou classes sociais costuradas pela noite do assassinato do Senador Robert F. Kennedy me fisgou. Assim como Umberto Eco crê firmemente que um livro pode e deve ser escrito para dialogar com outros livros, creio que isso também pode acontecer com os filmes.

 

Se em “Why We Fight” Gore Vidal diz que a “América” não tem memória, Estevez filma para reavivar a memória do mundo, não apenas dos americanos. Sim, porque se nos esquecermos que enquanto o problema racial foi o estopim da violência nos EUA, nos anos 1960 e, o nosso problema é uma desigualdade econômica e social cada vez maior, o discurso reproduzido abaixo pode ser tranqüilamente utilizado lá como aqui.

 

“Bobby” Kennedy pronunciou essas palavras um dia após o assassinato do Reverendo Martin Luther King. Sessenta dias depois, ele próprio foi baleado e morto, na noite de 4 de junho de 1968, no Hotel Ambassador, cenário do filme. Os falantes de língua inglesa, por favor, acessem o [discurso] na íntegra. Certamente chegarão a uma tradução mais elegante que a minha. Esse discurso fecha o filme, intercalado com um “spiritual” maravilhosamente cantado por Aretha Franklin.

 

A fala de Robert Kennedy, se levada ao pé da letra, pode ser um curso inicial a respeito do que é, verdadeiramente, democracia. Outros tempos, outros tempos.

 

“A AMEAÇA IRRACIONAL DA VIOLÊNCIA”

 

Hoje não é dia de política. Eu guardei essa única oportunidade, meu único compromisso de hoje, para falar-lhes brevemente sobre a ameaça irracional que novamente atinge o nosso país e cada uma de nossas vidas.

Isso não diz respeito a nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos que foram amados por outros seres humanos, os quais necessitavam deles. Ninguém, não importa onde viva ou o que faça, pode certificar quem será a próxima vítima de derramamento de sangue sem sentido. E isso continua sem parar no nosso país.

Por quê? O que se conseguiu com violência até agora? O que a violência criou?

Cada vez que uma vida americana é tirada por outro americano – ainda que seja em nome da lei ou desafiando a lei, por um homem ou grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência ou em resposta à violência – cada vez que rasgamos o tecido da vida que um homem teceu com dor e sofrimento para si mesmo e para seus filhos, a nação inteira se degrada.

Nós ainda toleramos o crescente índice de violência que ignora a humanidade que compartilhamos e nosso desejo de sermos civilizados.

Frequentemente nós defendemos a arrogância e a desordem e o abuso da força; freqüentemente nós desculpamos aqueles que desejam construir suas vidas sobre os sonhos esmagados dos outros.

(…) mas isso é muito claro: violência gera violência, repressão traz retaliação, e somente uma purificação de toda a nossa sociedade pode remover essa doença de nossas almas.

 (…) Quando ensinamos um homem a odiar e temer seu irmão, quando ensinamos que ele é inferior por causa de sua cor ou de sua crença ou da política ideológica que professa, quando ensinamos que o diferente ameaça nossa liberdade ou nosso emprego ou nossa família, então você também aprende a olhar o outro não como companheiro, mas como um inimigo (...).

Nossas vidas nesse planeta são muito curtas e o trabalho a ser feito é muito grande para deixar que esse espírito (da violência) siga prosperando no nosso país. É claro que um programa político ou uma resolução não pode simplesmente extinguir isso.

Certamente, esse vínculo de destino comum, esse vínculo de idéias comuns, pode começar a nos ensinar algo. Podemos aprender, ao menos, a olhar aqueles a nossa volta como companheiros, e seguramente podemos começar a trabalhar com mais empenho para curar as feridas entre nós e nos tornamos, nos nossos corações, irmãos e compatriotas novamente.

A foto que abre o post é de Robert MacMahan - website: www.robertmcmahanphoto.com

 

 



Escrito por Fernando Baia às 23h53
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O MAL - PARTE 4

Nos três post anteriores, que compõem essa série despretensiosa, o mal foi abordado por meio de filmes ou livros e personificado em um indivíduo ou ente.

 

Na última quinta-feira revi, depois de mais de vinte anos, “Mephisto”, do cineasta húngaro István Szabó, com o ator Klaus Maria Brandauer no auge de sua forma interpretativa. Uma pequena digressão: foi bom rever um filme que mantém sua força narrativa e, mais ainda, lembrar de um tempo em que tudo circulava com mais dificuldade e filmes não-comerciais demoravam muito para chegar ao Brasil, que dirá à minha aldeia.

 

O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por [Klaus Mann], que por sua vez tem como fundo a lenda de Fausto. O que o diferencia das obras que visitamos até agora é que dessa vez o mal não está personalizado em um indivíduo, mas em um governo que sobe ao poder em 1933, na Alemanha, por meio de eleições e tem como figura máxima um certo cabo austríaco, chamado Adolf Hitler.

 

Szabó mostra a trajetória de um ator, que se apresenta em peças engajadas ligadas ao movimento bolchevista e, até então, muito populares na Alemanha dilacerada pela Primeira Guerra Mundial. Preocupado apenas com a carreira artística, Hendrik Hoefgën, aclamado por sua encarnação de Mefistófeles no teatro, se aproxima perigosamente do Partido Nacional Socialista (Nazista) e, claro, acaba vendendo a alma em troca da fama. Herman Goring, o primeiro ministro de Hitler, é o corruptor de Hoefgën, embora seu nome nunca seja citado, assim como não é citado, Joseph Goebbels, ministro da propagando.

 

Hannah Arendt, filósofa de origem judaica, escreveu por ocasião do julgamento de Adolf [Eichmann], em 1960, um artigo sobre a Banalidade do Mal, que depois virou “Eichmann em Jerusalém”. Com banalidade do mal se quer dizer que o extermínio e os outros atos nazistas foram obra de uma máquina de guerra cujos movimentos eram meramente burocráticos e o objetivo era a construção de um Império (Reich) que deveria durar mil anos.

 

Temos nessa construção histórica, “o Terceiro Reich”, a oportunidade gerada por um momento de crise – A Alemanha derrotada e humilhada em Versalhes – e a evocação de um passado mítico em que tudo era melhor – nesse caso a menção óbvia é o Sacro Império Romano Germânico. Exemplo característico de apropriação e falsificação do passado com vistas à consolidação do poder. A estratégia, claro, passa pelo resgate do orgulho do povo alemão, povo que é peça fundamental para o projeto nazista, embora o “Fuhrer”, na eminência da derrota em 1945, tenha desdenhado dessa lealdade e declarado que os derrotados – o povo, nunca ele – mereciam a morte.

 

Muitos autores ao se debruçarem sobre o Nazismo, seguem o caminho de imputar ao regime a figura do mal absoluto. Não sei se concordo totalmente com essas afirmações, mas certamente não concordo com Alain Finkielkraut que, em um livro sobre o julgamento de Klaus Barbie, o carrasco de Lion, responsável direto pela morte de Jean Moulin, herói da resistência francesa afirma, citando Max Picard: “o que há de novo na crueldade nazista é que ela não se exerce mais na escala do homem, mas na escala do que é alheio ao homem”.

 

Eu acho que o mais aterrador do nazismo é que seus atos foram perpetrados por seres humanos a serviço de um aparato de estado pensado por um ser humano, ou apesar de tudo, alguém consegue dissociar Hitler da raça humana? Certamente é o movimento mais cômodo, não o mais verdadeiro.

 

Como anda em voga confundir eleições com democracia, transcrevo a fala de Hendrik Hoefgën a ser informado sobre a vitória do Partido Nazista:

 

“Houve eleições em um estado democrático. Um partido ganhou. Só isso. Já aconteceu antes. Nunca me interessei por política. Por que agora”?

 

Quer dizer, ás vezes nem é preciso agir para vender a alma, quem quer que seja o comprador. Na maior parte das vezes, basta a omissão.

 

SERVIÇO:

 

“A memória vã” de ALAIN FINKIELKRAUT. Editora Paz e Terra. (Livro)

 

“Mephisto”, de István Szabó, 1981. (Filme)



Escrito por Fernando Baia às 23h54
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