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Clareando Idéias
 


REGALO - ALICIA AYALA

Ainda na fase “louco por fotografia” - apesar do incentivo de amigos, estou cada vez mais convicto que meu lugar nessa praia é admirar e não fazer fotos - eis um link para o sítio da Alicia Ayala. Os seis que acompanham o Clareando sabem que ela é uma das editoras da IdeaFixa, uma e-magazine especializada em design, fotografia, artes plásticas e outros bichos, além de um BLOG muito descolado. Em tempos de Daniel Dantas, Celso Pitta e outros que estão de volta à mídia, dessa vez na página correta, as fotos da Alicia são um refresco, muito embora nem sempre doces. Lamentavelmente não encontrei as referências de cada foto e, assim, coloco uma das minhas favoritas entre as disponíveis no Olhares – Fotografia Online. Explorem os links, s’il vous plait.

 

P.S.: Por conta das obrigações da semana, alguns posts devem sair nos primeiros minutos da madrugada. Abaixo vocês têm uma rabugice típica de segunda-feira publicada nos primeiros minutos da terça.

 



Escrito por Fernando Baia às 11h34
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LITERATURA - FLIP

Algo está acontecendo nos últimos quinze ou vinte anos e o Brasil está, lentamente, deixando de ser provincial e quintaleiro (acabei de inventar é deve significar algo como aquele que acredita e professa o início e o fim do mundo nos limite de seu quintal; é por aí). Menos pela profusão de astros e bandas em fim de carreira e de qualidade duvidosa que vem faturar os últimos trocados nessas plagas (eta!) e mais por iniciativas que de fato apontam para uma abertura no nosso horizonte cultural.

 

As jornadas de Passo Fundo e, mais recentemente, a FLIP – Festa Literária de Parati, a primeira promovendo um encontro entre público e escritores de todos os cantos do Brasil; a segunda mostrando a todos nós, bororós, guaranis, xavantes e tantos outros, cada qual se achando inglês, francês, italiano, alemão ou americano, que Angola, Moçambique, África do Sul, Nigéria, Colômbia, Cingapura e mais, mais, mais, têm literatura, sim senhor. Muitos dos temas levantados pelos respectivos escritores são universais, e mesmo quando regionais, também são profundamente interessantes, quando bem escritos, uma vez que pertencemos todos a mesma raça, a humana.

 

Tudo isso pra falar do espanto, tristeza e bronca, tudo isso misturado, quando leio o caderno de cultura de um dos maiores jornais do país, a Folha de S. Paulo, e vejo a visão pobre na cobertura desse tipo de evento. Na verdade, o estranhamento começou a cerca de duas semanas quando o Caderno Mais promoveu uma disputa sem sentido entre Machado de Assis e Guimarães Rosa pelo título de maior escritor do Brasil. Pauta mais apropriada a um tipo de revista muito conhecida ou programa vespertino de televisão.

 

Nos dias que antecederam a FLIP e durante o evento, a cobertura do jornal insistiu no termo “uma FLIP sem estrelas” e coisas pelo estilo. O que significa isso? Será que a Folha espera que esse encontro literário se transforme em um evento de badalação e os convidados “estrelados” sejam recebidos pelas Juliana Paes, Débora Secco e outras (os) menos cotadas em busca dos famosos quinze minutos de Andy Warhol?

 

É estranho e contraditório porque o mesmo periódico passou os dias da Feira falando no sucesso popular e nas horas de fila para autógrafo do mestre dos quadrinhos adultos, Neil Gaiman. Aliás, espaço merecido para um cara que revolucionou o jeito de se fazer e de se ler quadrinhos.

 

Na contramão, não é de hoje que nossos cadernos culturais inflam egos de gente como Efraim Medina Reyes e, agora, Fernando Vallejo numa aposta típica de jornalismo sensacionalista, o que faz pensar também no esvaziamento da profissão e a confusão feita na cabeça dos garotos recém-formados que caem de pára-quedas nas redações e disputam espaço no assim dito jornalismo cultural, ansiosos eles também pelos já citados quinze minutos. Desnecessário dizer qual grupo jornalístico apostou nesse esvaziamento e transformou as páginas antes destinadas às discussões relevantes sobre música, literatura, cinema, teatro, artes em geral em meros apêndices das páginas de divulgação dos patrocinadores dos eventos. Depois ainda perguntam a causa do sucesso da Blogsfera.

 

Rabugices de segunda-feira que acabaram sendo postadas na terça. Scusa.



Escrito por Fernando Baia às 00h15
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CINEMA - NA NATUREZA SELVAGEM

   

 

 

Sean Penn não é um sujeito que faz escolhas fáceis, seja na carreira, seja em sua vida pessoal. Meter-se em uma sala de cinema e lá ficar por duas horas e meia vendo um filme dirigido por ele também não é uma escolha fácil, mas, sabem os que acompanham sua carreira, será prazeroso. Bem entendido se você entende prazeroso por bom cinema. Caso tenha entrado na sala procurando diversão, algo me diz que você não agüenta sessenta minutos de filme.

 

Lendo esse primeiro parágrafo pode-se pensar que Na Natureza Selvagem é pretensioso, um daqueles filmes tediosos, os quais só entendem os que privam da mesa e de outras intimidades do diretor. Engano. O problema, ou solução, depende de que lado você está, é que Penn não faz concessões ao gosto médio. Primeiro de tudo, a tal natureza selvagem está lá e não apenas no Alasca, mas ao longo da trilha de Christopher Mc Candless. Ao contrário de grande parte dos filmes, a fotografia, muito bem feita, não glamouriza as belezas naturais e sim as mostra como o obstáculo a ser dominado. Com essa ressalva, cabe dizer que os grandes planos são fantásticos e a descida do Rio Colorado vale cada centavo do ingresso.

 

Segundo ponto a ser considerado, a trilha sonora é de Eddie Vedder, vocês sabem, o líder e a voz do Pearl Jam. A voz de Vedder soa como a de um francês que sobreviveu em Agincourt. As letras até apontam para uma redenção, que não chega nunca. Outra escolha que afasta os “fregueses”, a narrativa não é linear e não é utilizada em nenhum momento a linguagem veloz de alguns dos pretensos vanguardeiros, nem a gritaria histérica que cansa. O filme vai sendo construído quadro a quadro, lentamente, com lapsos de tempo e narrativa em off da irmã do protagonista.

 

Tudo isso posto, a história baseada nos relatos de Christopher, escrita por Jon Krakauer e que levou dez anos para ser roteirizada pelo próprio diretor, fala de rupturas e buscas, a saga de um sujeito muito bem nascido que rompe com o que ele mesmo entende como a sociedade hipócrita da Costa Leste e empenha-se em uma viagem – em muitos sentidos – cujo destino final, vocês já perceberam, é a imensidão gelada do Alasca. Ao longo do caminho, vai encontrando pessoas que também romperam com o tal sonho americano e, a mensagem que eu não sei se ficará clara – e isso é um problema numa época em que meninas engravidam por conta de um filme (Juno) ou fogem por conta de outro (O Beijo Roubado) – é: existe um custo, e ele não é baixo, nas rupturas radicais.

 

Emily Hirsch empolga no papel principal e lá pelas tantas o cinéfilo da graças a Deus por Penn ter desistido de trabalhar com Di Capprio – já dá pra antecipar as caras apalermadas que nos fariam perguntar se Jack Dawson realmente morreu no Titanic. Hirsch tem um repertório mais amplo e segura bem a maioria das situações proposta, assim como o elenco de apoio, sem nenhum grande destaque para os mais conhecidos como Márcia Gay Harden ou William Hurt, mas uma generosa participação oferecida pelo diretor ao ator Hal Holbrock, que concorreu ao Oscar de coadjuvante no papel do veterano da marinha americana que tenta religar e trazer Chris para os braços seguros da civilização.

 

Em resumo, Na Natureza Selvagem vale cada minuto de tempo investido nele e, tenho a impressão, não perde muito com a exibição em tela pequena. Ficam questões a serem respondidas e que martelam o cérebro “das gentes” juntamente com a bela canção que fecha a história. O site do filme é muito interessante e me apresentou a um troço do qual eu nunca tinha ouvido falar, mas ficarei freguês nas próximas semanas: o IMEEM, pelo que entendi um My Space com outro nome e igualmente cool. Ia esquecendo, ao longo do filme e no contato com os coadjuvantes um alerta velado pra quem quiser pegar: os riscos de se prolongar uma adolescência que consome quando não é decifrada e abandonada e, ainda, os riscos maiores de antecipar a maturidade, que acaba por imolar os incautos.

 

Vejam!



Escrito por Fernando Baia às 01h19
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DVD - ELIZABETH THE GOLDEN AGE

No final de semana, em DVD, vi Elizabeth – The Golden Age. Para qualquer um que não seja apaixonado por história, cinema, Inglaterra e Cate Blanchett, não necessariamente nessa ordem, o filme é muito bom e – tem tempos que eu não falava nisso – os extras do DVD são ainda melhores. Mas – e sempre tem um mas – alguma coisa não soou bem com aqueles que eram, disparado, as melhores coisas do primeiro filme, a saber, Cate “Over the Top” Blanchett e Geoffrey Rush, um ator tão bom que deu credibilidade ao Barbossa (Piratas do Caribe) e conseguiu não ser ridículo – antes pelo contrário – dançando com Peirce Brosnan em O Alfaiate do Panamá.

 

Por mais talentosos que sejam deve ser mesmo difícil retomar papéis com a carga emocional da rainha que consolidou o absolutismo naquelas estranhas ilhas batidas pelos ventos e pelas chuvas ou de seu conselheiro, Francis Walsingham, que tranquilamente poderia ter saído das páginas daquele livrinho escrito há mais de cinco séculos por um florentino que não tinha muito que fazer e resolveu inventar as Ciências Políticas Moderna, Nicolló Machiavelli. Pra quem quiser ouvir: o discurso de Walsinghan no primeiro Elizabeth é O Príncipe na veia. Claro, passados historicamente vinte oito anos entre a tomada do poder e a luta com Felipe II e sua “Invencível Armada”, o contexto é outro é o discurso foi amainado.

 

O que mais incomodou no filme e incomoda em tantos outros – desnecessário mencionar a Helena (Diane Kruger) de Tróia – é a visão classe média burguesa que sai da boca dos personagens e torna tudo tão “novela das oito”. Eu não vou deitar falação em Clive Owen porque, entre outras coisas, acho que ele funcionou bem na maioria dos papéis que enfrentou – não é grande, mas está a caminho. A rainha tendo ataque de ciúmes por conta do romance entre Walter Raleigh e sua aia preferida fere os limites do bom senso. Scusa.  Um rei ou rainha feridos em seus brios, sobretudo os amorosos, não tem apenas um ataque histérico, o ataque, via de regra, é seguido da execução daquele que ousou contrariar a vontade divina do soberano.

 

No mais, o trabalho de Shekhar Kapur e sua equipe salta aos olhos nos extras. Um passeio pela arquitetura da Inglaterra é mais que qualquer cinéfilo pode pedir de um DVD. Ainda, uma generosa apresentação de Guy Dyas, responsável pela cenografia e por construir um modelo de navio que, em tempos diferentes, foi o Tiger, de Raleigh, um galeão espanhol e o navio líder da Invencível Armada. O trabalho de câmera foi primoroso e atingiu com brilho o objetivo de, ao aproveitar os imensos espaços das locações (catedrais, palácios, a Universidade de Cambridge) mostrar a proporção entre os indivíduos e os eventos históricos.

 

Por fim, a discussão na qual eu só embarco se vocês seis quiserem, sobre a veracidade dos fatos históricos. Os principais eventos, quais sejam, a conspiração católica para depor Elizabeth e colocar Mary Stuart no trono da Inglaterra, a disparidade de forças entre ingleses e espanhóis até então, o problema da linhagem sucessória, tudo isso foi respeitável. O resto, como sempre me lembram, é cinema e não pesquisa acadêmica. As liberdades! As liberdades!

 

A discussão que mais me interessou tenha existido de fato ou sido inventada, foi a questão da execução de Mary Stuart. Elizabeth preocupa-se com o fato de uma rainha, portanto uma “igual”, ter sido morta por sua ordem. Apesar de a Igreja Anglicana ter rompido com Roma e o soberano inglês acumular a função de chefe religioso, ainda era muito forte a idéia do Direito Divino, isto é, um rei ou rainha somente o são por vontade de Deus. Para além do trauma de consciência – nesse caso, dispensável – a questão política é: existe limite até para as vontades do Estado Absolutista? Vale a discussão, pois toca na questão profunda da religiosidade da época.



Escrito por Fernando Baia às 12h32
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VIEIRA VIVE

Na Folha, “Mosteiro vai restaurar cinco volumes dos “Sermões” de padre Antônio Vieira”. E a explicação: o Mosteiro da Ordem de São Bento em Salvador, o primeiro mosteiro beneditino fundado no país, em 1582, com verbas da Secretaria da Cultura da Bahia investirá cerca de R$ 300 mil para restaurar obras raras, entre elas, os referidos volumes – quatro dos quais impressos quando Vieira ainda estava vivo.

 

O Padre Antônio Vieira foi um homem pré-iluminista como todos sabem e, por conta de sua longevidade (1608-1697), foi uma das testemunhas mais importantes do século XVII. Qualquer comparação separada por três séculos está fadada a cair no descrédito ou no ridículo, mas é difícil resistir ao riso compulsivo quando se põe frente a frente um monstro da oratória como Vieira e os “papas” do falar em público dos nossos dias. Frutos de uma sociedade que privilegia, acima de qualquer coisa, a técnica e que não tem mais que dois minutos para ouvir, ler ou sentir qualquer coisa, essa gente elogia Os Sermões em público, por que é de bom tom, mas com a desculpa de “cada qual de acordo com seu tempo”, pretendem comparar o incomparável, a saber, uma obra de gênio feita para resistir aos tempos com os manuais de comportamento descartáveis das listas dos mais vendidos.

 

Como diz a Naomi, vale bem a lida, tanto a matéria da Folha (link acima) quanto as obras do jesuíta – não apenas os Sermões, que podem ser lidos aleatoriamente, mas suas cartas, organizadas no Brasil em três volumes, pelo professor João Adolfo Hansen. O valor citado acima é ridiculamente baixo diante das necessidades da cultura, no entanto, é um começo.



Escrito por Fernando Baia às 12h18
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GARFIELD

Não sei se mais alguém além do Ombudsman desse BLOG notou, mas o fato é que a semana se foi, outra começa e ÁFRICA 2 não rolou ainda. Explicação simples: diante de tanta oferta daquilo que mais gosto, a saber: música, cinema, fotos e mais, mais, mais, muito mais, fiquei sem paciência para escrever sobre política e economia, coisas que, de resto, sou ainda mais amador do que nos outros temas.

 

Mas, como compromisso em regra se cumpre, ao longo da semana desenvolvo o tema, o qual na verdade era um comentário sobre um BLOG muito legal, o PÈ NA ÁFRICA, escrito pelo Fábio Zanini e algumas reportagens publicadas no rastro das eleições no Zimbábue.

 

Ah, o título do post é uma alusão à síndrome das segundas-feiras brilhantemente descritas pelo gato criado por Jim Davies.

 

Voltamos. Hoje, espero.

 

PS: A vitória da “Fúria Espanhola” na Eurocopa mais sem graça que se tem notícia representou, a bem da verdade, a vitória do futebol contra aquele similar esquisito, praticado pelas tribos bárbaras do centro da Europa e, de passagem, eficiente em levantar títulos de forma burocrática.



Escrito por Fernando Baia às 11h47
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REGALO - ELLEN KOOI

Ellen Kooi, com mencionado alguns posts abaixo, é uma fotógrafa holandesa. Nascida em 1962, ela fez seus estudos (graduação e pós) na sua terra natal. Difícil não fazer a comparação com outro neerlandês fantástico chamado Vermeer e dizer que essa gente é muito caseira mesmo. Comparação de resto sem nenhum sentido, uma vez que, se Vermeer nasceu em Delft, no século XVII e nunca botou os pés pra fora de sua cidade, Kooi já correu mundo expondo seu trabalho. Justiça seja feita, suas intervenções e fotos têm como tema a paisagem holandesa.

 

Difícil é escolher uma foto no site dela! Pra quem não aproveitou o link da IdeaFixa, mais uma chance.

 

 

Essa foto não é a minha favorita, apesar de linda e muito bem composta.

Estava disponível no IdeaFixa, já que o site da fotógrafa é bem protegido.



Escrito por Fernando Baia às 18h29
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UM PENSAMENTO

“Clássico é a forma elegante de chamar tudo aquilo que não envelhece”.

 

JOÃO MOREIRA SALLES.

 

Uma História idiossincrática da simplicidade (2).

 

Publicado no saudoso e cada vez mais necessário NO. (No Ponto).



Escrito por Fernando Baia às 17h55
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IdeaFixa

Eu não sei exatamente porque caminhos cheguei até a IdeaFixa, mas se forçar um pouco – certo, não tão pouco – a memória, o atalho deve ser uma dica do BLOG do Tas.

 

No início achei só curioso, no entanto a revista on line era específica demais pro meu gosto, feita pra iniciados e não pra iniciantes em design, foto e outros bichos. Muito menos para meros curiosos como a pobre alma que vos tecla. Como subscrevo alguma coisa que eu não sei definir pelo nome moderno no site da Idea, frequentemente me enviam mensagens com as novidades e, eis me aqui, completamente basbaque com a virada da revista que agora virou também um BLOG e tem uma pancada de gente interessante colaborando.

 

Além da profusão de cores – lidam com design, não esqueçam – um monte de links de fotógrafos e artistas variados. Eu fiquei totalmente vidrado nas fotos de uma holandesa chamada Ellen Kooi. Fora isso a Alicia, uma das editoras e criadoras e que se a memória não me trai muito, está morando atualmente na Argentina, tem posts muito bem humorados sobre “n” assuntos, como, digamos, quadrinhos argentinos, para ficar em um só.

 

A outra editora é Janara Lopes, que também posta no BLOG e deve estar em Londres. Como vocês podem ver, as duas não têm um gosto lá muito bom para escolher as cidades onde vivem. Se não deu pra perceber, estou brincando.

 

A proposta de diversificação tornou o sítio muito mais interessante. Dá pra gastar um tempo enorme vendo as imagens e lendo o BLOG. Ideal pra visitar e viajar de madrugada.

 

Abaixo, uma mostra do que se encontra por lá. Ah, o link que eu botei acima – da revista – joga o internauta nos posts da Alicia. Vale a pena.

 

 

PS. A IMAGEM ACIMA É DE UM FILME CHAMADO BEAUTIFUL LOSERS E A DICA FOI POSTADA PELO FÁBIO FAVARO. DAR OS CRÉDITOS A QUEM DE DIREITO FAZ BEM.



Escrito por Fernando Baia às 19h46
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ESPORTE - WIMBLEDON

Acabou agora o terceiro set do jogo entre “Rafa” Nadal e Ernests Gulbis, da Letônia. Quem viu a comemoração do espanhol quando ganhou os últimos pontos do tié-breaker do terceiro set tem uma idéia do alívio que o número dois do mundo deve ter sentido. Gulbis complicou a vida do cara até agora.

 

Veja o link que te leva a transmissão dos jogos de Wimbledon.

 

Só vi o terceiro set da partida e vi como o letão tem jogo para estar entre os cinqüenta e avançar um pouco mais no ranking (atualmente ele é o número 48 no sistema de entradas e 46 na corrida).

 

O tênis masculino atual está muito nivelado, com alguns sujeitos acima da média, um dos quais na categoria “fora-de-série” ou “Deus fez e esqueceu a fórmula”. Não cito o nome para o pessoal de Itu não acreditar que o cara já está na Morada dos semideuses. Não está.  

 

Federer deu uma declaração interessante antes do início de Wimbledon. Disse ele que no circuito atual existem muitos caras capazes de jogar bem “all rounds”, ou seja, em todas as superfícies. O próprio Nadal melhorou muito o seu arsenal de golpes na grama, mas não creio que possa vencer na Inglaterra esse ano. Seria bom para o circuito se estivesse enganado.  

 

Jogadores como Gulbis e Bellucci (vai crescer muito! Vai crescer!) estão chegando a um plano em que a cabeça passa a ser mais importante que os golpes, os quais eles já dominam consideravelmente. Algo como dirigir um carro. Depois de aprender a controlá-lo, sua cabeça vai dizer que tipo de condutor você será.

 

Bellucci perdeu na segunda rodada em Wimbledon um jogo que esteve várias vezes nas mãos dos dois jogadores. Acho bobos os comentaristas que dizem “a partida foi decidida nos detalhes”. As melhores são decididas nos detalhes, isso é parte da graça do esporte competitivo. Quando Roger faz 6x0; 6x1, 6x4 em algum John Something Else significa que no terceiro set ele não jogou tênis tal a facilidade encontrada nos dois primeiros. Uma partida de Grand Slam em cinco sets é uma homenagem ao esporte.

 

Desculpem, estou empolgado e verborrágico hoje.

 

PS: Nadal perdeu o primeiro set, 7x5; ganhou o segundo, 6x2 e o terceiro, no tie-breaker, 7x6(7x2). Quando acabo o post, o espanhol vai fazendo 4x3 com saque contra e tem um duplo break. A quadra central está cheia e linda, o céu inglês não surpreende.



Escrito por Fernando Baia às 12h02
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LITERATURA - MACHADO DE ASSIS

2008 é o Ano Nacional de Machado de Assis. Por conta disso, nós, os leitores, somos brindados com uma série de lançamentos e reedições os quais reforçam ou desvelam novos aspectos da tempestade literária do Bruxo de Cosme Velho. Aliás, bom que se diga, o professor John Gledson, da Universidade de Liverpool e um dos maiores especialistas em Machado, implica com a expressão acima; eu acho lisonjeira e lírica.

 

Lamentavelmente, essas efemérides também dão espaço pra algumas matérias dispensáveis, como a que ocupou o Caderno Mais do último domingo propondo um FLA x FLU literário: quem foi o maior escritor do Brasil: Machado de Assis ou Guimarães Rosa. Felizmente, alguns dos intelectuais consultados colocaram a discussão no seu devido nível relevância: nenhum.

 

Na contramão, a EDUSP está relançando o livro do professor Valentim Facioli, cujo título é um pouco estranho para o meu gosto, mas que apresenta uma premissa interessante: Um defunto estrambótico – Análise e interpretação das Memórias Póstumas de Brás Cubas. Facioli propõe que uma das formas de leitura de Memórias é a oposição entre o antigo, a sociedade escravista desgastada e o moderno, que a custo impõe-se.

 

Vygotsky, mais conhecido por seus trabalhos nas áreas de educação e lingüística, escreveu um livro interessante A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca, na qual tentando fugir da crítica tradicional propôs a “crítica do leitor”, isto é, defende que uma vez terminada, a obra desgarra-se de seu autor e presta-se a quantas interpretações seus leitores forem capazes. Chega mesmo a dizer que o autor por vezes não é o melhor intérprete de sua obra.

 

Eis aí, no centenário de sua morte, Machado á disposição de novas leituras e leitores.

 

Abaixo, algumas dicas de leitura. Voltamos ainda hoje, com “África 2”.  

 

* Um Defunto Estrambótico – Análise e Interpretação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (2008) – Valentim Facioli (EDUSP).

 

* Narradores de Machado de Assis (2007) - Gabriela Kvacek Betella (EDUSP).

 

* Os Leitores de Machado de Assis (2004) – Hélio de Seixas Guimarães (Nankim Editorial).

 

 



Escrito por Fernando Baia às 09h18
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Stacey Kent foi anunciada como uma das atrações jazzeiras do próximo Tim Festival, em outubro, na tupiniquinlândia.

 

Em tempos de cinqüenta anos de Bossa Nova segue a versão do Samba da Benção, de Baden e Vinícius; ganhou o poético título Samba Saravah.

 

No post anterior vocês têm “África 1”.

 



Escrito por Fernando Baia às 00h07
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ÁFRICA PARTE 1

Em Cobra Verde, filme do diretor alemão Werner Herzog, um traficante de escravos saído do Brasil faz fortuna com o comércio ilegal de negros passando a ser conhecido como Vice-Rei de Uidá. Antes e depois desse filme, outras obras que tem a África como tema oscilam entre os extremos da vitimização e das guerras tribais como responsáveis pelas desgraças do continente. No primeiro caso o destino dos africanos sempre andou a reboque dos destinos de outros senhores. No segundo, os europeus nada mais fizeram do que explorar as profundas divisões entre senhores da guerra e, claro, lucrar com isso.

 

Um historiador cuidadoso cuidaria de dizer que as várias versões de uma mesma história, quando bem interpretadas, têm boas possibilidades de resultar em uma colcha de retalhos bem acabada.

 

O Brasil tem um passado comum com algumas regiões da África seja por conta das relações comerciais – o tráfico de escravos – seja pelo fato de ter sido colonizado pela mesma metrópole, o que nos dá uma língua comum. Infelizmente a historiografia, reflexo das mentalidades das gentes, optou durante muito tempo por ignorar esse passado comum, enxergando Angola e Moçambique como meros fornecedores de mão-de-obra e, por isso, formadores da nossa mistura racial (essa expressão está banida pelos bem pensantes, scusa).

 

Citar apenas um nome nesses casos é o caminho certo pra cometer injustiça; erro maior, penso eu, é não destacar Luís Felipe Alencastro e o seu O Trato dos Viventes como um dos trabalhos que mais contribuíram para o entendimento do sistema formado no Atlântico Sul entre o nordeste açucareiro e Angola. O coração pede que eu não esqueça do professor Robert Slenes, da UNICAMP, que por meio de seus estudos sobre a família escrava, no Brasil e na África, formou e forma uma geração de gente que aprendeu a olhar para o outro lado do oceano e enxergar histórias complexas de indivíduos e sociedades.

 

Tudo isso pra dizer que nos primeiros passos do século XXI, o continente africano ainda oscila entre o papel de fornecedor de matéria-prima e mão-de-obra baratas e o abandono de populações inteiras, descartadas do grande jogo do mercado mundial cada vez mais globalizado e, ao mesmo tempo excludente, já que essa é a tônica dominante do sistema em que esse mercado está inserido.

 

Nas primeiras páginas da edição de ontem (Tendências e Debates), a Folha de S. Paulo trouxe artigo interessante do professor e pesquisador Jacques D’Adesky, enfocando o papel da China e suas relações comerciais com a África. No vácuo deixado pelo fim dos acordos preferenciais com a União Européia, a China abriu – e aqui cito o artigo – “uma rede de representações comerciais em quarenta e nove países africanos. (...) Além do comércio, a África aparece como um dos alvos privilegiados dos investimentos chineses, como uma espécie de plano piloto em uma estratégia para a globalização de suas empresas”.

 

Em bom português pode ser entendido assim: em algum momento na linha de crescimento econômico chinês não será mais possível manter os trabalhadores sobre o estrito controle do Estado e será, então, necessário o plano B, qual seja, plantar indústrias em outros locais nos quais os direitos trabalhistas sejam ainda menos respeitados ou inexistentes. A África, com a conivência dos potentados locais sempre desempenhou bem esse papel. Vem à cabeça um conversa de semanas atrás com o nunca suficientemente citado M. Bernardi: cada vez que a Globo foi ameaçada pela concorrência, isso não significou uma melhora qualitativa da programação ofertada à plebe ignara, antes pelo contrário.

 

A derrocada político-econômica norte-americana e a conseqüente multipolarização do planeta também não garantiu nenhuma melhoria nas relações político-comerciais entre os países, mas sim a repetição de velhas e gastas fórmulas com uma embalagem recauchutada.

 

Confesso com uma ponta de maldade, que me satisfaria muito ver a cara da nossa “nobreza política togada” – vocês sabem quem são, não vou citar – a qual, na década de noventa sonhou em reinventar as relações econômicas no universo e desdenhou da aproximação da “gente” que lhes sucedeu no poder com alguns países africanos.

 

Não se deve esquecer que qualquer aproximação cujo objetivo seja meramente econômico tende a reproduzir o comportamento neo-colonizador do século XIX que, em troca de privilégios financeiros, fazia vistas grossas aos desmandos dos senhores locais, isso quando não instalava no poder um fantoche cumpridor de suas obrigações junto à “Metrópole”.

 

 

(CONTINUA)



Escrito por Fernando Baia às 12h46
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PEQUENA NOTA À GUISA DE DESCULPAS

No início do mês, Clareando anunciou uma série intitulada “Sobre o exagero” através de um post introdutório. O resultado foi tão pessimista e mal humorado que, não querendo entrar em uma disputa contra outros trezentos e dezoito candidatos ao posto de Paulo Francis cover, resolvi arquivar os comentários na pasta “não publicáveis”. Ninguém precisa ouvir - no caso, ler - considerações pessoais sobre a péssima voz e a falta de senso de oportunidade dos que cantam em voz alta e de olhos fechados no metrô, acompanhados de seus i-pods.

 

Por outro lado, os posts sobre História, se não rendem todos os comentários e as trocas de opiniões esperadas – a idéia desse BLOG era provocar algum debate, lembram ? – mostram, através do número de acessos, que tem gente interessada nesse assunto, o que muito me alegra.

 

Então, aproveitando a feliz “coincidência” de ter lido apenas no dia de hoje, três matérias com diferentes abordagens sobre aquele gigantesco e fascinante pedaço de Terra, a África, as seis almas gentis que me honram com suas companhias podem, a partir da próxima madrugada, encontrar aqui no Clareando uma série de comentários – amadores, é bom que se diga – abordando a História, a Geopolítica e os efeitos da Globalização no continente africano.

 

Como sempre, comentários, observações e discordâncias são sempre bem-vindos. Até já.



Escrito por Fernando Baia às 18h16
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MÚSICA - REDEMPTION SONG

 

Como o Lombardi certamente escreveria, “uma boa música para começar a semana”. É possível encontrar dezenas de versões de Redemption Song no YouTube. Essa versão é a minha favorita e eu não sou louco o suficiente para tentar explicar Joe Strummer.  Quem ouviu Clash sabe do que estou falando. Nesse número ele se faz acompanhar pelos Mescaleros, sua última banda.

 

Ah, sinceramente obrigado pelo número de acessos aos dois posts sobre Os Tudor.

 

Um trecho da música de Bob Marley por tudo que vem acontecendo nos morros, aos olhos dos bem pensantes.

 

Won't you help to sing
these songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

 



Escrito por Fernando Baia às 02h09
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