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Clareando Idéias
 


CINEMA - TRAILER 2012

Depois de destruir o Capitólio e a Casa Branca com seus ET’s e mergulhar a Terra numa Era Glacial, eis que o alemão mais americano da galáxia, Roland Emmerich, embarcou na profecia Maia do fim dos tempos e nos “brinda” com mais um filme catástrofe, “2012”. Como novidade, ao lado das cenas manjadas de destruição de cidades norte-americanas, dessa vez sobrou para o Cristo Redentor e para o teto da Capela Sistina. Claro, o porta-aviões USS John F Kennedy tem “papel” de destaque.

Aqui link para o trailer.

 



Escrito por Fernando Baia às 20h11
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VISTA RÁPIDA DA JANELA

Em meio à quantidade de provas que parecem proliferar quanto mais eu as corrijo, em meio à sensação de dívida em relação ao Clareando e, claro, aos seis ilustres que freqüentam essas mal traçadas, o jazz e o chocolate têm sido consolos quase suficientes. Depois de um período sem ter paciência e tempo para ouvir música como se deve, redescobri o prazer que me deram alguns companheiros de caminhada. “Chet” Baker foi um desses caras, a “doutora” Nina Simone, outra.

Em meio a muitas dívidas, dizia eu, o Rodrigão, que não pede, manda, cobra um comentário sobre a vitória de Roger Federer em Roland Garros. Depois que a poeira baixar e o Sampras parar de somar banana com laranja, conversamos.

Fica na pauta também post e fotos da Campinas Decor – eu quase escrevi “Freguesia Decor”.

A música abaixo abre o filme “Quatro Casamentos e Um Funeral”, com outro intérprete é bem verdade. Please, enjoy it.  

 



Escrito por Fernando Baia às 22h22
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MÚSICA ... OU ALGO PELO ESTILO

PARA MARCÃO BERNARDI

Dizem os muito entendidos que Kind of Blue é tão perfeito que é cultuado e adorado até por quem nunca ouviu um disco de jazz na vida. De fato, são as notas de Freddie Freeloader, a faixa dois no mítico bolachão, que escapam do “tocador de alguma coisa do computador” e embalam esse mal ajambrado post.

Eu já tentei teclar acompanhando o trompete de Miles, o sax alto do senhor Julius “Cannonball” Adderley e o piano de Bill Evans; tentei “espichar” o ouvido e distinguir as notas suaves, mas personalíssimas de John Coltrane e o baixo “operário” e operoso de Paul Chambers. Atualmente acompanho sem sucesso a baqueta-vassourinha de Jimmy Cobb. E a experiência pela qual eu já tinha passado outras tantas vezes, se faz única. A casa toda, sem esquecer um cômodo, um canto, um rejunte de azulejo, se enche de notas musicais. Luzes acendem-se e apagam-se, suaves, é claro. Perfumes de outros tempos enchem o ambiente...

Dessa vez o CD é meu e ele vem acompanhado de um segundo – sobra de estúdio e takes alternativos e, preciosidade das preciosidades, de um DVD realizado no início dos anos 2000 e corretamente intitulado Celebrating a Masterpiece. E, ainda, acabei de ler isso no encarte, um texto extra em formato PDF, no disco 1, para o qual, melhor título não poderia haver: “O Último Rei da América: Como Miles Davis inventou a modernidade”, escrito por Ashley Kahn, autor de um belíssimo livro celebrativo do qüinquagésimo aniversário da “obra prima”.

Aliás, Kahn já havia disponibilizado aos mais simples dos mortais outro livro em que disseca por que alguns têm o dom de fazer o sublime – música ou algo pelo estilo, e outros - como a pobre alma que vos tecla – só cabem no papel de platéia embasbacada e extasiada. Ele também expôs a feitura de Love Supreme, de John Coltrane. Para quem não se lembra ou mesmo não conhece, Love Supreme foi homenageado em forma de citação por Bono Vox e “quadrilha” em Angel of Harlem, uma ode à música negra americana que influenciou tantos branquelos de todas as idades de um lado e do outro daquele belo oceano, o Atlântico.

 

Eu não gosto de tudo que o Miles fez na vida e, num primeiro momento, quase descarto a fase “roupas esquisitas-tocar com a cara virada para a parede”. Definitivamente, eu não gosto de jazz-fusion. Só então me lembro dos caras que o “Rei” trouxe à luz, a começar de um dos meus ídolos na juventude nem tão distante assim, o senhor Anthony Armando Corea Jr., Chick Corea para os menos íntimos. Chick também descambou para o fusion mais superficial, mas antes ele fez música de verdade e de primeira.

E depois dos parágrafos acima, fazendo uma comparação futebolística, é como se, depois de jogar num time que tivesse Gérson, Tostão, Rivellino, Clodoaldo e Jairzinho, o “negão”, saísse por aí a descobrir Zico, Sócrates, Falcão, Batista, Careca e eu vou parando por que o coração não precisa ser tão judiado assim e, no fim das contas, saudade, mesmo a boa, sempre dói um pouco.

Mesmo o “pior” Miles é melhor que o melhor da maioria. Ave, Miles. Morituri te salutant.

Ah, vocês cinco precisam me desculpar, mas a volta de um post de mais fôlego no Clareando precisa ser dedicada ao sexto integrante desse seleto grupo de gente paciente. Ave, Marcão.



Escrito por Fernando Baia às 21h28
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CINEMA - BUDAPESTE

O título poderia e deveria ser CINEMA – LEONARDO MEDEIROS porque, se é verdade que o sujeito tem se aventurado na televisão sem fazer feio e, se também é verdade que, desgraça das desgraças eu ainda não consegui vê-lo atuando no teatro, a verdade derradeira e definitiva desse parágrafo é que o cara parece se sentir em casa fazendo filmes para tela grande. O trailer dos cinemas começa com a voz marcante do autor informando ao mundo que “Budapeste é amarela”.

Eu nunca morri de amores, ao contrário, pelo Chico Buarque romancista, mas o fato de Medeiros dar vida ao ghost writer de Budapeste já dá muita vontade de ver o filme que estréia nas cidades civilizadas amanhã e nós ficamos na expectativa para saber se a Freguesia está na lista de estréias. Já ia esquecendo, dirigido pelo (grande) fotógrafo Walter Carvalho – que já nos brindou com o belíssimo Janelas da AlmaBudapeste tem uma fotografia de primeira. Precisava dizer, afinal? 

Abaixo, o trailer no you tube.

 

PS: Confirmei ainda agora algo que meu coração já sabia: não, é evidente que o filme NÃO estréia na Freguesia amanhã. Quem sabe em junho, antes das férias escolares?



Escrito por Fernando Baia às 23h35
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LIVROS - HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA

Excelente iniciativa da editora dos Schwartz em lançar agora na coleção “Companhia de Bolso” os cinco volumes de “História da Vida Privada”, um tour de force da historiografia francesa, capitaneado por Georges Duby, Paul Veyne e Phillip Aries isso apenas para escalar o meio-de-campo do time. A obra foi editada no Brasil a cerca de vinte anos atrás, cobre o período que vai do Império Romano ao final do século XX e gerou o similar nacional também com um time de historiadores de primeira.

Claro, a edição atual não preserva a beleza da capa dura e riqueza dos detalhes nas ilustrações, mas chega em bom momento para os professores de história do ensino médio – colegial pra os mais velhos – cansados da mesmice dos livros didáticos e das apostilas. Não dá para basear todas as aulas nos volumes da coleção, mas as histórias funcionam como um belo chamariz para alunos exaustos de “mais do mesmo” e “você tem que passar no vestibular”. Vale o investimento.

        



Escrito por Fernando Baia às 23h33
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MÚSICA - THE KINKS

No futebol são famosos e muito comuns os casos de jogadores fabulosos que tiveram a má sorte de jogar no mesmo período e, pior, na mesma posição que um “crioulinho” que o Zito chamava de “gasolina”, o qual não muito tempo depois fez até mesmo as pedras das praias da Suécia se emocionarem, em 1958.

O caso de Julinho Botelho é citado como outro exemplo “do cara certíssimo, na época errada”. Julinho foi inventar de jogar na ponta direita justamente quando começava a despontar no Botafogo um cara esquisito, com pernas muito tortas, apelidado com nome de passarinho e vindo de uma cidade com nome de piada pronta. Impossibilitado de ser titular na Seleção Brasileira, Julinho foi ser “Rei” na Itália, com a camisa da Fiorentina. Na época, a Itália era prêmio de consolação e não Olimpo mais que desejado.

Pelé e Mané, quatro letras pra cada um, papel de coadjuvantes para muitos outros.

Com muitas bandas londrinas aconteceu o mesmo. The Kinks surgiu em 1964, ano  em que os Estados Unidos foram invadidos pela segunda vez pelos ingleses, invasão essa comandada por quatro moleques de uma cidade portuária chamada Liverpool. Mesmo ano em que alguns caras não indicados para moças de boa família começaram a traduzir o espírito do Blues norte americano para os pálidos e atônitos ingleses. Sim, eles eram Keith (o líder), Mick e companhia. Os mortais os conhecem como Stones.

A música abaixo fala sobre o encontro de um cara com uma “garota”no bairro boêmio de Londres, na década de 60, o Soho. Citar travestis em música ainda não era muito normal; depois o Lou Reed pegou o gosto pela “coisa”. Vale ver ou rever The Kinks. O vocalista figuraça é Ray Davies. Volta e meia ele “quebrava o pau” (e outras coisas mais) com o guitarrista da banda, seu irmão Dave. E os irmãos Gallagher ainda acham que estão inventando “esse tal de Roque Enroll”. Dá licença?

 



Escrito por Fernando Baia às 21h43
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ARTIGO - CONY

Ou “Prá não dizer que eu não falei de História”.

Há poucos minutos, falando no CBN Esporte Clube, com o Nando Gross – um daqueles gaúchos que dá gosto ler e ouvir, apesar do bairrismo que às vezes faz com que pareça que vivem em outro sistema planetário – o Juca Kfouri ironizava a si mesmo insinuando que quem não estuda acaba virando jornalista. Injustiça! O que acontece é que, tendo que se posicionar a respeito de tantas coisas, o jornalista acaba como o goleiro, isto é, raramente suas vitórias são comemoradas enquanto seus erros os acompanharão até a sepultura.

Tudo isso para falar do Cony, cujas rabugices são há tempos folclóricas no Jornal do Heródoto (CBN) e onde quer que ele fale ou escreva. Além disso, houve o caso não muito bem digerido por alguns de seus pares, da indenização por conta das prisões durante o regime militar. Para além de todo imbróglio, o Cony quando não quer brincar de metralhadora giratória ou “do contra”, ainda é uma das vozes e textos lúcidos que tanta fazem.

No meio de tantos atentados contra aquela velha e melíflua senhora, a História, vale ler a coluna de hoje no Jornal dos Frias. Uma aula sobre o funcionamento  dos regimes totalitários. Uma pequena correção, quando o Cony cita o alistamento compulsório dos jovens alemães e italianos em alguma organização nazista ou fascista, o que explica os nomes do Papa Bento XVI, Günter Grass e outros na juventude hitlerista e os de Fellini, Mastroianni, Vitorio de Sicca e outros nas hordas juvenis de Mussolini, cita também o nome de Martin Heidegger. Pelo que consta nos autos, Heidegger não se sentiu muito constrangido com as companhias. Vale a vista.

O passado de cada um

Volta e meia, o passado do papa atual, o alemão Joseph Ratzinger, é mencionado na mídia como o de um ex-integrante da Juventude Hitlerista. Antes mesmo de se tornar Bento 16, o detalhe de sua biografia já era lembrado por aqueles que não apreciavam as suas posições conservadoras.

Em primeiro lugar, nem todo conservador é necessariamente nazista, nem mesmo de direita. Há esquerdistas militantes que são mais conservadores, reagindo com histeria a qualquer tentativa de alterar o status quo de sua linha ideológica.
Em segundo lugar, na Alemanha dos anos 30, os jovens eram compulsoriamente obrigados a se filiar em organizações do Estado manipuladas pelo partido único, que era o nazista.

Leia aqui o resto do artigo.



Escrito por Fernando Baia às 21h04
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FUTEBOL - SAUDADE

Com a falta de generosidade costumeira que caracteriza os grandes empreendimentos – sim, eu sei, inocência da minha parte – o Jornal dos Mesquita priva os não assinantes e os que não compram o exemplar na banca de outra crônica para “recortar e guardar” entre tantas com as quais o Ugo Giorgetti periodicamente nos brinda. (Sem acesso gratuito no Portal do dito jornal)

Como não dá para transcrever a crônica toda, registro no Clareando um momento da mais pura poesia/ tradução do futebol quando cumpre suas funções, a saber, encher os olhos, a alma e o coração de nós, pobres apaixonados e, como diria e disse Eduardo Galeano, mendigos que se esgueiram de estádio em estádio, com as mãos postas a implorar: “uma bela jogada, pelo amor de Deus”. Eis o Giorgetti escrevendo sobre aquilo que se viu na primeira partida das finais do Paulistão:

“Fábio Costa errou? Não, só não guardava mais em sua lembrança a imagem de um futebol brasileiro que desapareceu. E a razão por que todas as torcidas, malgrado elas mesmas, sufocando a irritação de admitir qualquer virtude num time rival, torcem por Ronaldo é simples: saudade. E pior, saudade do que não vimos. Daquilo que só os estrangeiros viram. Saudade das jogadas dos grandes jogadores brasileiros que não desfrutamos, que ficam perdidos em pequenas cidades da Espanha, da Grécia, da Itália, da Turquia, da Rússia, da Alemanha, muitas vezes contra times inexpressivos, diante de espectadores que nunca tinham visto aquilo. Mas nós tínhamos”.

Pois é, deu pra perceber que o Giorgetti, com a delicadeza de sempre, lamenta o êxodo dos deuses-meninos e, também, dos nem tão deuses assim, vamos chamá-los de “os nossos jogadores-passarinhos” que, com leveza e graça mostram o futebol como aquilo que de fato ele é: não um palco para brucutus que aprenderam a jogar bola chutando a cabeça de um carneiro ou de um adversário, como em tempos idos, mas um cenário de verdadeira magia, no qual a bola desenha os nossos sonhos por palcos profundamente verdes.

E como sonhar ainda é permitido e, a se dar crédito a Calderón de La Barca, é muito mais que permitido, informo a quem interessar possa que, nos preparativos para o campeonato mais disputado do planeta, a Série B, agora abrilhantada pelo glorioso Vasco da Gama da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a Máquina Verde da gloriosa Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das  Campinas do Mato Grosso de Jundiaí, goleou ontem, em Itapira, a briosa equipe do sub-20 do Campinas – 5x0 com direito a show de Maranhão e companhia. Início da campanha “Fica Maranhão, Bugrão na Série A”. Vocês, fiquem com o Giorgetti, não comigo.



Escrito por Fernando Baia às 10h31
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STILL CRAZY AFTER ALL THESE DAYS

Clima de final de domingo, correção de provas, agradecimentos sinceros aos que continuam acompanhando esse blog bebê a despeito da indisciplina do autor. Essa semana fecha com mais um feriado. Please, enjoy it!

O título do post refere-se aos últimos dias e compromissos.

Eu ainda consigo ouvir Eric Burdon! A banda, claro, é The Animals.

 



Escrito por Fernando Baia às 22h19
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ÁGUA NA BOCA

Vocês seis ficam com um trecho – para aguçar vossas vontades – do livro do Bill Buford, Calor. Se tudo correr a contento, no feriado essa pobre alma que vos tecla postará um comentário sobre o referido livro e mais Banquete, de Roy Strong, livros, por assim dizer, comestíveis.

 “Depois comi dois tipos de macarrão. Um foi tortellini, pequenos e complicados nós de massa, com um misterioso recheio de carne. O outro foram raviolis gigantescos, notáveis por sua leveza. Eu jamais comera algo semelhante. Eram preparados com manteiga e mel e recheados com abóbora, e de tal modo que ao mordê-los experimentava-se uma explosão de sabor. A abóbora, assada e misturada com queijo parmesão, era como um bocado de outono: o equivalente a acordar e descobrir através da janela que as folhas das árvores haviam mudado de cor. O prato chamava-se tortelli de zucca (zucca significa abóbora)  e era tão memorável que me levou a tentar descobrir de onde vinha”.   

Ainda por cima, quem ler o livro verá que o sujeito dá uma – ou várias – aulas de como fazer jornalismo literário ou livro reportagem ou seja lá que nome isso tenha. É bom!



Escrito por Fernando Baia às 23h09
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TILL THE END OF THE ROAD

FOTO: EXAMINER

Um dia estranho num Principado estranho (e belo, claro!). As melhores palavras são do José Nilton Dalcim - o homem entende tudo e mais um pouco de tênis – “O suíço continua genial, capaz de disparar lances de plasticidade inigualável, mas Michael Chang bem dizia: um belo ponto só vale um ponto”. A imagem, como sempre, fala por si e, generosamente, permite as mais variadas interpretações.



Escrito por Fernando Baia às 20h54
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CONEXÃO ÁFRICA

Matéria interessante da Revista Trip (via UOL) com o escritor moçambicano Mia Couto. Vale a vista.

O vôo da LAM (Linhas Aéreas de Moçambique) pousou no Aeroporto Internacional de Maputo no dia 5 de novembro de 2008. Era uma data especial para a África e para o mundo. Enquanto o avião taxiava na pista do pequeno aeroporto, o planeta mudava um pouco com o anuncio da vitória de Barack Obama na eleição presidencial americana. “O novo dono do mundo é um negro, filho de quenianos e filho da África!”, comemoravam os moçambicanos em festa exalando alegria pelo saguão do aeroporto.

Africanos cantam e dançam o tempo todo. Foram eles que ensinaram os brasileiros a serem assim. Cantam pra rezar, cantam pra chorar, cantam pra trazer sorte e cantam pra comemorar. Era um dia especial e a alegria podia ser sentida em toda parte.

Na madrugada anterior, o escritor moçambicano Mia Couto acompanhava pela televisão a apuração da eleição americana em sua casa em Maputo. “Foi uma madrugada de intensa comoção. Eu confesso que chorei, nunca pensei que pudesse embarcar numa coisa que eu sei que é ilusão, pois esse homem esta condicionado por poderes enormes. Mas ao mesmo tempo o que representa como valor simbólico é algo muito grande, traz benefícios do ponto de vista da auto estima. Somos tão influenciados por eles que deveríamos reivindicar direito a voto na eleição americana. Se bem que de uma certa maneira votamos com o coração,” confessa o premiado escritor, correspondente da Academia Brasileira de Letras e considerado um dos mais importantes escritores africanos e da língua portuguesa.

Moçambique fica na costa oriental da África, de frente para o Oceano Indico e de costas para o Brasil. O Brasil conhece pouco Moçambique, que por sua vez, conhece muito bem o Brasil. As novelas, a musica e a literatura brasileira tem uma influencia enorme nos costumes e na cultura local, o que faz com que o nosso português “adocicado”, como dizem os moçambicanos, abra qualquer porta por lá.

Leia aqui o resto da matéria.



Escrito por Fernando Baia às 21h34
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ENTRE LIVROS E VEREDAS

FOTO: WIKIPEDIA - Parque Grande Sertão: Veredas, criado no município de Formoso (MG), em 1989.

Alguns títulos ou frases têm o insuperável poder de nos remeter a todo um mundo infinito, seja ele de fantasias, de idéias que se cruzam ou algo que o valha. O certo é que não se volta desses mundos da mesma forma que para eles se partiu; alguns simplesmente não voltam.

Gustave Flaubert em sua frase* nada enigmática, mas deliciosa, sobre Madame Bovary sempre me empurrou diretamente para o cancioneiro de um certo senhor Francisco Buarque de Holanda e sua muitas vezes decantada sensibilidade para mergulhar no universo feminino – a custo contenho a vontade de escrever “universo da mulher”, expressão de resto mais verdadeira.

Flaubert explicava aos desatentos que, por mais distante que pareça de seu criador (o romancista) – distante em hábitos, intelectual ou fisicamente, de gênero diverso – a criatura ( o personagem) carrega, a flor da água ou no mais profundo abismo, as inquietações por trás da pena que a descreve. Dito ou escrito parece banal. Mas, por um instante que seja, tentem pensar o que poderia unir Gustave Flaubert a Emma Bovary. Nos atos da segunda as inquietações do primeiro? O adultério feminino  pelo filtro do olhar masculino? Que sei eu?

Tudo isso para dizer que a mim encanta, como já escrevi outras vezes, os livros que dialogam com outros livros num parolar sem fim. Num  breve passeio de começo de noite pela Livraria dos Herz – onde, aliás, rabisquei à caneta o início desse post, com receio de que a idéia fosse ligeira demais para que eu pudesse retê-la com minha rede de caçador amador de borboletas – encontro dois tipos de livros dedicados a esmiuçar preciosidades como a Ilíada ou a Odisséia e, claro, belezas como Grande Sertão: Veredas ou Dom Casmurro.

O primeiro grupo é composto por obras esculpidas pela paixão aliada ao amor pelas letras. Os autores homenageiam seus objetos de estudos com ensaios que não têm a pretensão de ensinar ninguém a ler uma obra prima, no máximo mostrar algumas chaves de interpretação, as quais, felizmente, podem ser rearranjadas ao gosto do futuro leitor. Para saber como são os livros do segundo grupo basta inverter os sinais do que escrevi acima. Verdadeiros vampiros da obra alheia, contentam-se em freqüentar seminários e arrogar-se detentores da última palavra sobre um artigo obscuro e, freqüentemente, irrelevante desse ou daquele autor. Marx é um pobre coitado que tem milhares de sugadores inventando significados os mais delirantes para coisas que ele nem escreveu. Machado de Assis é outro que padece dessa má sorte e para cada leitura original e lúcida sobre o Casmurro e “os olhos de cigana oblíquos” de Capitu surgem dez interpretações dignas de serem trancafiadas na Casa Verde do Dr. Simão Bacamarte junto com seus respectivos autores.

João Guimarães Rosa, talvez pela natureza de sua obra ou, bem possível, por excesso de otimismo de minha parte, possui um equilíbrio maior entre delirantes sentados em cima do espólio de Riobaldo e aqueles que de fato tem algo a dizer e, por isso mesmo, não temem compartilhar sua pesquisa e nem se arrogam portadores de verdades insondáveis.  

A professora Kathrin Rosenfield parece jogar no primeiro time. Em seus livros disponíveis a erudição vem a serviço da obra de Rosa e, mesmo os títulos que se apresentam mais didáticos, no fim das contas, apontam para uma verdade insofismável: a beleza, o maravilhamento  e a graça não podem ser trancafiadas em gaiolas frias e destituídas de vida. Os livros de Rosenfield – não li tudo, claro – ao invés de afastar o leitor do original tem a generosidade de se saber pontes/atalhos para o mergulho final no deslumbramento dos universos construídos com leveza e profundidade, aqueles que merecem o rótulo “clássicos”.  Numa palavra, empurram o leitor para se empanturrar do original.

Rosenfield diz que meu segundo encontro com Riobaldo já está passando da hora. Assim, arrumo as malas e me vou para o Grande Sertão.

* Emma Bovary c’est moi. (Emma Bovary sou eu).



Escrito por Fernando Baia às 23h25
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O LONGO CAMINHO DE VOLTA

Tal como um atleta que fica algum tempo afastado de suas atividades por contusão e ao retornar sente a falta de ritmo, dores musculares e precisa reaprender movimentos que já eram automáticos, eis aqui esse modesto aprendiz blogueiro tentando há alguns dias retomar o ritmo normal do Clareando.   

Felizmente, não estive afastado por contusão, mas pelo acúmulo de compromissos profissionais – aulas, aulas e mais aulas, com uma palestra para um público prá lá de interessante no meio.

Muitos assuntos foram passando e nada de conseguir sentar e escrever. Livros, artigos e filmes – só em casa, não há tempo para cinema – alguns muito bons, outros nem tanto, foram sendo “consumidos”. Homeopaticamente tentarei dar conta dos que mais me impressionaram nos nossos próximos encontros (posts). Para os que ficaram por aqui, Merci.

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De um amigo que fechou uma vídeo locadora arrematei três preciosidades: A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo; Kedma, de Amos Gitai e Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera, de Kim ki Duk, não perguntem por quê, esse último freqüenta a minha lista de dez mais de todos os tempos. Críticas aos cuidados da redação. Já escrevi umas trinta vezes nesse espaço que a maior invenção acoplada ao DVD são os extras e, no caso do filme de Pontecorvo, o segundo disco vem recheado de entrevistas e documentários referentes ao processo de descolonização da Argélia, material obrigatório para sala de aula. A Vídeo Filmes, produtora dos Moreira Salles, capricha no material.

Do filme de Kim ki Duk fica sempre uma sensação de delicadeza que não tem a ver apenas com a beleza de fotografia, mas com o ritmo que convida o espectador a desacelerar seu ritmo e prestar uma pouco mais atenção naquilo que de fato vale a pena. Regalos em um ano em que não pude e provavelmente não poderei ver nem ao menos um filme do Festival É Tudo Verdade – termina domingo.  

Depois comento o filme de Gitai, sobre o qual li muito, mas ainda desconheço. Eis, outra vez, Eretz Israel rondando meus caminhos.

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Impossível terminar esse reencontro sem mencionar dois eventos esportivos da maior importância. Doravante e até quarenta minutos após o Armageddon, o dia Primeiro de Abril ficará consagrado como dia de louvor à Bolívia, no Brasil. 6 x 1! Dá para acreditar?

No último sábado, depois de muito tempo, fui ao Estádio do glorioso alvi esmeraldino campineiro assistir ao jogo – ou pelo menos tentativa – contra o Corinthians. De mudança para a série A2, onde passará a abrilhantar outras cidades, o Bugre foi fantasma do time que já me encantou. Valeu mesmo pelos comentários impagáveis e impublicáveis do professor Marcão Bernardi que dois de vocês já perguntaram se é um alter ego inventado por esse pobre homem que vos tecla. Ele existe, posso provar!

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Abaixo, uma matéria sobre Isay Weinfeld e sua paixão pelo Radiohead, publicada a cerca de quinze dias atrás no suplemento Aliás, do Jornal dos Mesquita. Vale a vista. Scusa pelo post datado. Mais abaixo, um vídeo do Coldplay. A música é legal, mas as imagens provocam crises de labirintite.



Escrito por Fernando Baia às 21h32
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ISAY WEINFELD

Isay in rainbows

Fanático pelo Radiohead, o arquiteto Isay Weinfeld rejeita a hierarquia entre cultura popular e erudita

Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Isay Weinfeld está feliz. Escarrapachado na poltrona da sala, toma um gole de cachaça Anísio Santiago, volta-se para sua fabulosa discoteca, que ocupa de ponta a ponta um cômodo da residência, e aumenta o volume do microsystem. Os olhos do arquiteto mais badalado do Brasil na atualidade - e um dos dez preferidos do historiador de arte francês Philip Jodidio, organizador do guia Architecture Now, da editora Taschen - brilham quando o tema é música ou cinema. A trilha sonora é Farewell to Philosophy, do compositor erudito contemporâneo Gavin Bryars, que não por acaso trocou a cátedra em filosofia pela arte. O diálogo, no entanto, é sobre a banda de rock Radiohead, que se apresenta sexta-feira no Rio de Janeiro e domingo em São Paulo.  

 

Aqui, a continuação da matéria.



Escrito por Fernando Baia às 21h31
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